O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, lamenta o abandono da produção de café na província do Uíge, destacando ser uma riqueza que “dorme e que pode despertar Angola”.

 FRANCISCO MWANA ÚTA

“Hoje o meu coração bate pelo Uíge. Não por saudosismo, mas por realismo económico. Enquanto o mundo bebe café e fatura biliões, Angola está parada”, escreveu o líder do principal partido da oposição na sua página de Facebook.

Para o político “há exatamente um ano das próximas eleições, olha para o Uíge não com a nostalgia paralisante do passado, mas com a ambição calculada de quem sabe que o café é o novo petróleo verde”.

Na sua opinião, enquanto o mundo se rende a uma indústria de cafés especiais que movimenta mais de 400 mil milhões de dólares anualmente, Angola permanece parada sobre um dos solos mais férteis do planeta.

“Esta publicação não é um lamento. É a apresentação de uma tese de desenvolvimento económico local, baseada em evidências históricas, ciência agronómica moderna e modelos de financiamento sustentável do século XXI”, acrescentou.

Disse que  Uíge não tem apenas potencial, tem um comprovativo histórico de excelência produtiva, lembrando que, até 1975, Angola era o 4º maior produtor mundial de café, atrás apenas de Brasil, Colômbia e México, e o líder incontestável em África na variedade Coffea canephora (Robusta).

“O Uíge tornar-se-á um polo de desenvolvimento que irradia para as províncias vizinhas, fixando as populações, combatendo a pobreza rural e reduzindo a pressão migratória sobre as grandes cidades do país, como Luanda”, disse.

Adalberto Costa Júnior defende a  criação de um centro de investigação no Uíge, em parceria com o CIFOR (Centro de Investigação Florestal Internacional), para o desenvolvimento de clones de alta produtividade e resistência a pragas, adaptados ao nosso microclima específico.

“Está na hora de deixar a dependência do petróleo do mar e apostar no ouro verde do solo. O coração de Angola bate forte no Uíge, e o futuro tem gosto de café”, concluiu.