A sociedade civil, académicos, e activistas acreditam que qualquer contencioso eleitoral terá o mesmo desfecho dos processos anteriores no Tribunal Constitucional (TC), uma vez que esta instituição, integrada na “engrenagem da ditadura”, confirmará o resultado forjado na Presidência da República.
POR: JORNAL FAX
Num manifesto assinado por activistas, advogados, académicos e jornalistas consideram que o ocidente quer manter o regime no poder, por este constituir uma garantia perfeita da elite do atraso para a apropriação dos recursos do povo angolano e para a perpetuação da desordem do capitalismo.
“Uma vez que os direitos humanos e a democracia vão perdendo relevância internacional, não há nenhum incentivo ético global para que a comunidade internacional possa exigir ao regime a realização de eleições livres, justas e transparentes”, diz o manifesto.
“Tendo em conta em conta a legislação eleitoral em desacordo com os padrões internacionais, e que inviabiliza qualquer possibilidade de transparência mínima, neste contexto, falar de alternância é uma clara manifestação de erro analítico, desonestidade e agendas cúmplices do regime ditatorial”, acrescenta o documento.
Os subescritores do manifesto reafirmam que aqueles que em discurso público, sustentam a ideia de alternância expressam um sintoma de impotência que caminha lado a lado com a desonestidade e falta de coragem moral nem ambição ética para admitir a verdade perante o povo.
“Uma vez que o regime, parte poderosa da comunidade internacional e parte da “oposição” conspiram contra o povo angolano, cabe às vítimas tomarem consciência de que estão abandonadas no mundo. Por isso, cabe a este poνο terminar o sofrimento através de uma revolução popular”, refere o manifesto.
O manifesto reconhece incapacidade da oposição de planeamento estratégico a médio e longo prazo para travar uma simulação eleitoral, qualquer pronunciamento que produz sobre alternância é uma clara falta de compromisso com a verdade e a ética política.
“Uma vez que a oposição é sustentada financeiramente pelo partido do regime por via da captura completa do Estado, é evidente que a oposição jamais se libertará do partido hegemónico que a alimenta a todos os níveis”, refere o manifesto.
Considera que uma sociedade civil burocratizada e proporcional ao atraso do país não será capaz de inviabilizar o curso da história cíclica traçada pelo regime.
“A sociedade civil está enfraquecida, por inúmeros factores, por isso remediada e cheia de mazelas. Contudo, assumimos que somos parte sem reserva”, diz o manifesto.
“Considerando a ambiguidade estratégica das Igrejas Cristas durante décadas de tirania, nomeadamente em momentos cruciais em que «parte da hierarquia» serve opressor, negando absolutamente a tradição profética veterotestamentária, assim como a teologia da libertação e suas variadas manifestações progressistas, entendemos que não se pode contar com as Igrejas Cristãs para pôr fim ao cativeiro”, acrescenta.
Refere que ante a continuidade do sofrimento apocalíptico do povo angolano de 2027 em diante uma vez que a ditadura vai permanecer é difícil imaginar onde o povo angolano buscará a misericórdia para perdoar a “fração da oposição” que mente sistemática e compulsivamente, prometendo alternância através do simulacro eleitoral.
“Reafirmamos que cabe ao povo livrar-se da opressão através de uma revolução popular na forma que definir como sua ou seguir outros caminhos que nós não fomos capazes de identificar”, finaliza o documento.

