A distribuição desigual de médicos e a escassez de outros profissionais de saúde continuam a comprometer o acesso aos cuidados sanitários na província do Cubango, onde grande parte dos municípios enfrenta limitações estruturais no atendimento à população.

No município do Caiundo, por exemplo, são necessários pelo menos 100 técnicos de saúde para assegurar uma assistência minimamente adequada, segundo o director do Gabinete Provincial da Saúde, João Chihinga, que alerta para um défice generalizado de recursos humanos no sector.

De acordo com o responsável, a falta de médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e pessoal de apoio tem impacto directo no funcionamento das unidades sanitárias, muitas das quais operam com equipas reduzidas ou sem profissionais qualificados em permanência.

Esta realidade traduz-se em atendimentos limitados, encaminhamentos frequentes de doentes para outras localidades e maior pressão sobre as poucas unidades com capacidade técnica instalada.

Por sua vez, o especialista em Saúde Pública e Gestão Hospitalar, Jeremias Agostinho, considera que a situação exige medidas estruturais urgentes, alertando que a escassez de profissionais pode comprometer não só a qualidade, mas também a segurança dos serviços prestados.

O especialista defende a necessidade de reforço do quadro de pessoal, melhor distribuição de profissionais e investimento na formação contínua, sobretudo para responder às exigências crescentes do sistema de saúde.

Num contexto em que a procura por cuidados médicos continua a aumentar, sobretudo nas zonas rurais, a desigualdade na distribuição de médicos e técnicos de saúde agrava as assimetrias no acesso e coloca em evidência os desafios do sistema sanitário na província.