A pouco mais de dois meses da realização do VI Congresso Ordinário da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), agendado para o final de setembro, o partido enfrenta um novo episódio de forte contestação interna.

A Juventude da FNLA (JFNLA) anunciou esta terça-feira a retirada da confiança política ao presidente da formação, Nimi a Simbi, acusando-o de incumprir os estatutos e de comprometer o funcionamento regular dos órgãos do partido.

Em conferência de imprensa, o secretário nacional da JFNLA, Carlos Capamba Kassoma, justificou a decisão com aquilo que considera ser uma sucessiva violação das normas internas da organização. Segundo o dirigente juvenil, o presidente da FNLA tem falhado na convocação dos principais órgãos estatutários, colocando em causa a credibilidade da liderança.

“O Bureau Político deve reunir de três em três meses, mas isso não acontece. Os Estatutos determinam igualmente que o Comité Central reúna de seis em seis meses, e também essa obrigação não tem sido cumprida. A seriedade de um dirigente mede-se pelo respeito escrupuloso dos Estatutos do partido”, afirmou.

Carlos Capamba Kassoma acrescentou que, enquanto persistir o alegado incumprimento das regras internas, a Juventude da FNLA não se revê na atual liderança, defendendo uma renovação da direção partidária no próximo congresso.

A reação da direção da FNLA não tardou. Em representação da presidência do partido, João Roberto Nsoki classificou as declarações como graves e anunciou que o caso será remetido à Comissão de Ética e Disciplina.

“O poder que a Juventude exerce decorre da direção do partido. Não conheço nenhuma organização política em que a estrutura juvenil retire confiança ao seu presidente. O normal seria exatamente o contrário”, afirmou.

João Roberto Nsoki recordou ainda que, há alguns meses, a JFNLA já tinha tornado pública a sua dissociação da direção nacional, considerando que a atual posição constitui mais um episódio de desrespeito pelas estruturas internas da organização.

As divisões intensificaram-se com a intervenção da segunda secretária nacional da JFNLA, Júlia dos Santos, que se demarcou da posição assumida por Carlos Capamba Kassoma e saiu em defesa de Nimi a Simbi.

A dirigente acusou o secretário nacional da Juventude de desconhecer os princípios e ideais da FNLA, alegando ainda que as suas motivações estão relacionadas com questões financeiras.

“O problema do Cassoma tem mais a ver com dinheiro. Enquanto esteve à frente da JFNLA recebeu verbas destinadas a atividades da organização que nunca foram justificadas. Além disso, tendo anunciado a sua renúncia, não se compreende como continua a apresentar-se publicamente como secretário nacional da Juventude”, declarou.

As acusações surgem num momento particularmente sensível para a FNLA, que prepara o seu VI Congresso Ordinário, marcado para o final de setembro, e evidenciam a crescente fragmentação interna que tem marcado o partido nos últimos meses.

As duas alas da formação política realizaram conferências de imprensa em simultâneo durante a manhã desta terça-feira, expondo publicamente as divergências quanto à liderança e ao rumo da organização. Apesar da contestação interna, a direção liderada por Nimi a Simbi reafirmou que o congresso decorrerá conforme o calendário previsto.