A presidente do Instituto Superior Politécnico do Bengo
(ISP-Bengo), Aurora Bambi, é acusada de desrespeitar uma decisão do Tribunal da
Relação de Luanda e de promover alegado favorecimento familiar em concursos
públicos, num caso que volta a colocar a instituição no centro de polémica
administrativa, denunciaram os visados do concurso ao Jornal Hora H
As acusações têm origem no Processo n.º 15/2025-N, no qual o
tribunal determinou a reintegração imediata de candidatos excluídos de forma
considerada ilegal num concurso realizado em 2024, decisão que levou à anulação
do processo concursal de 2025.
Em cumprimento da orientação judicial, o Ministério do
Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação instruiu formalmente o
ISP-Bengo, através da Nota n.º 87/GJI/MESCTI/2026, a executar integralmente o
acórdão que orientava o enquadramento dos
candidatos aprovados ao concurso . No entanto, os denunciantes disseram que, apesar de a direcção ter
comunicado o cumprimento da decisão, os candidatos lesados continuam fora do
Sistema Integrado de Gestão das Finanças do Estado (SIGFE), o que os impede de
exercer funções e auferir salários.
Segundo as fontes do Jornal Hora H, os familiares da
presidente Aurora Bambi, como o seu irmão Mateus Elavoko Chindumbo e um
sobrinho, continuam no quadro de pessoal a ocupar vagas que, de acordo com os
lesados, pertencem a candidatos melhor classificados e reconhecidos
judicialmente.
A fonte avança ainda que, o ISP-Bengo avançou com um novo
Concurso Público de Ingresso Externo para a Carreira Docente em 2026,
autorizado pelo Despacho n.º 2535/26, um processo que está a ser contestado por
alegadamente apresentar irregularidades, como a ausência do Conselho Científico
e a definição de perfis considerados direccionados.
Entre os beneficiários apontados pela fonte deste jornal
está Miguel Bunga, sobrinho da presidente, que anteriormente não foi aprovado
por insuficiência técnica, mas que agora surge em posição privilegiada.
O júri do concurso inclui também Mateus Elavoko Chindumbo,
irmão da dirigente, o que levanta suspeitas de conflito de interesses.
Aurora Bambi, conta a fonte,
é ainda arguida no processo n.º 84420/025.BGO, no qual responde por
alegados crimes de corrupção, nepotismo e desvio de mais de 30 milhões de kwanzas
destinados à investigação científica.
Apesar da gravidade das acusações, não são conhecidas, até
ao momento, medidas disciplinares ou de afastamento preventivo por parte do
ministério de tutela, o que tem gerado críticas no meio académico, segundo explicou
a fonte.
Uma comissão de inquérito criada em Novembro de 2025 pelo
ministério já produziu resultados
internos, sem, contudo, resultar em responsabilização pública.
Os denunciantes
apelam a intervenção da Inspecção
Geral da Administração do Estado e da Procuradoria-Geral da República, com
vista ao apuramento de responsabilidades.
Contactada pelo jornal Hora H, a presidente Aurora Bambi
indicou o seu advogado, Armindo Luís, que afirmou tratar-se de acusações ainda
sem pronúncia judicial.
Segundo o advogado, “existe um processo que está sob segredo
de justiça e a doutora, assim como eu, estamos proibidos de vir a público falar
sobre o assunto”. Acrescentou que o Ministério Público, por estar a conduzir a
investigação, terá proibido qualquer pronunciamento sobre o caso.
“Vamos aguardar até que o Ministério Público nos notifique
nos autos processuais. Em caso de dúvidas, podem dirigir-se ao Ministério
Público do Bengo, onde obterão a mesma informação”, referiu.
