A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, apontou esta Quarta-feira, 8, falhas graves no funcionamento das maternidades e defendeu maior rigor no atendimento às gestantes e recém-nascidos, alertando que muitos óbitos podem ser evitados com melhor organização dos serviços.
REDACÇÃO: JORNAL FAX
“Há problemas como a transferência inadequada de pacientes críticos, atrasos no atendimento de emergências obstétricas e falta de acompanhamento adequado durante o transporte das grávidas entre unidades sanitárias”, reconheceu a ministra.
“Situações desta natureza continuam a colocar vidas em risco e exigem maior responsabilidade por parte das equipas médicas e da gestão hospitalar”, acrescentou.
“Não podemos estar a receber óbitos à porta do hospital. Podemos evitar mortes, se formos capazes de atrair às nossas consultas de pré-natal todas as gestantes”, afirmou.
A mortalidade materna e neonatal em Angola continua a ser um desafio significativo de saúde pública, com muitas mortes evitáveis.
Indicadores recentes (2025/2026) apresentam mortalidade de 44 para 32 mortes por cada 1.000 nados-vivos.
Mortalidade Neonatal: Situa-se em cerca de 22 mortes por cada 1.000 nados-vivos, com uma ligeira redução observada.
Mortalidade Pós-neonatal: Registada em 18 mortes por cada 1.000 nados-vivos.
Hemorragia Pós-parto: Identificada como uma das principais causas de morte materna em Angola.
Doenças Hipertensivas: A hipertensão na gravidez é uma das causas principais de mortalidade materna.
Neonatal: As principais causas de morte em recém-nascidos são sepsis e asfixia, com grande impacto da prematuridade.
Gravidez na adolescência: Angola tem taxas elevadas, com 112 gravidezes por mil em raparigas dos 15 aos 19 anos, acima da média da África Subsariana.
