O Ministério da Educação e a direção do Sindicato Nacional de Professores (SINPROF) reúnem-se esta quarta-feira, em Luanda, para um encontro de auscultação convocado pela ministra da Educação, Erika Aires, conforme adiantado à Agência Lusa. A reunião acontece antes do arranque do plano de greves faseadas decretado pelo sindicato, cuja primeira paralisação está marcada para 21 de setembro.
O SINPROF sublinha que o encontro não constitui uma mesa negocial, mas apenas um momento de auscultação. De acordo com comunicados oficiais do sindicato e análises publicadas pelo jornal O Decreto, a tensão institucional agravou-se devido ao alegado incumprimento do acordo assinado a 8 de janeiro entre o Executivo e os professores.
Entre as principais questões apontadas pelo sindicato estão a exclusão de milhares de docentes dos concursos de ingresso e acesso, bem como a falta de previsão para a inserção dos profissionais no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado.
O SINPROF considera “paliativo” o recente concurso público para a contratação de 8.000 novos professores. O secretário-geral do sindicato, Admar Jinguma, afirmou, em declarações à Forbes África Lusófona, que o setor enfrenta um défice estrutural de 80.000 profissionais e uma perda anual de até 5.000 docentes.
A contestação estende-se também à alocação de recursos públicos. A estrutura sindical critica o investimento em grandes infraestruturas, como o Centro de Convenções inaugurado pelo Presidente da República, em detrimento da construção e expansão da rede escolar.
Quanto ao impacto comunitário e à exclusão escolar, a crise no setor educativo transcende a esfera corporativa e reflete-se diretamente nas comunidades locais. Milhares de crianças e adolescentes ficam anualmente fora do sistema de ensino por falta de vagas nas escolas públicas.
Conforme apontou o Conselho Nacional do SINPROF, a incapacidade de resposta do Estado penaliza sobretudo as famílias mais vulneráveis, agravando a exclusão social e a carência de infraestruturas básicas nas comunidades.
A greve, que abrangerá o ensino geral, o ensino técnico-profissional e a educação de adultos, será realizada em quatro fases ao longo do ano letivo de 2026/2027. Antes da primeira paralisação, estão previstas assembleias provinciais para 12 de setembro.
Enquanto a ministra da Educação remeteu o posicionamento oficial sobre as negociações para o momento oportuno, à margem de uma reinauguração escolar, a classe docente exige respostas concretas para a valorização da carreira e o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Executivo.
