O pré-candidato à liderança do MPLA, António Venâncio, defendeu a necessidade de aprofundar a democracia interna no partido no poder, considerando que o processo de democratização de Angola está directamente ligado à capacidade de renovação e abertura democrática da formação política que governa o país desde a independência.
Em declarações à Rádio DW para África, o engenheiro afirmou que a construção do Estado Democrático de Direito em Angola continua a avançar a um ritmo demasiado lento, aquém das expectativas criadas ao longo das últimas décadas.
“Muito lentamente estamos a construir um Estado Democrático de Direito, mas muito lentamente, e eu diria mesmo que de modo inaceitável. Já devíamos estar muito mais avançados em matéria de construção desse Estado Democrático de Direito”, declarou.
Para António Venâncio, uma das principais razões para essa evolução limitada reside naquilo que considera ser um desfasamento entre o nível de democracia existente dentro do MPLA e as exigências democráticas do próprio Estado angolano.
Segundo o político, enquanto persistirem limitações à participação, ao debate interno e à pluralidade de opiniões no seio do partido, será difícil alcançar uma democratização plena das instituições nacionais.
“Infelizmente, isso também não acontece por causa exactamente deste hiato que existe entre a democracia interna do MPLA e a democracia em termos do país, daquilo que nós estamos a chamar de Estado Democrático de Direito”, afirmou.
O pré-candidato sustenta que a transformação política do país passa necessariamente por uma maior abertura democrática dentro da principal força política angolana, defendendo que o fortalecimento das práticas democráticas internas poderá ter reflexos positivos na governação, na transparência e no funcionamento das instituições públicas.
“Enquanto o MPLA não se democratiza internamente, teremos muitas dificuldades em democratizar Angola”, sublinhou.
As declarações surgem num momento em que o debate sobre a renovação política e institucional ganha visibilidade no espaço público angolano, particularmente no interior do MPLA, onde diferentes sectores têm defendido reformas que promovam maior participação dos militantes nos processos de decisão e escolha das lideranças.
A posição de António Venâncio reforça um discurso que tem vindo a defender nos últimos anos, centrado na necessidade de modernização do partido, no reforço da democracia interna e na aproximação das estruturas partidárias às expectativas dos cidadãos.
Para o engenheiro, a consolidação do Estado Democrático de Direito exige não apenas reformas institucionais, mas também uma mudança de cultura política, assente em princípios de participação, responsabilidade e prestação de contas.
Num contexto marcado pelos desafios da governação, pelo combate à corrupção e pela crescente exigência de transparência por parte da sociedade, o pré-candidato considera que o aprofundamento da democracia dentro dos partidos políticos constitui um passo essencial para o fortalecimento das instituições democráticas e para o desenvolvimento sustentável do país.
As suas declarações voltam a colocar no centro do debate político a relação entre a democracia partidária e a qualidade da democracia nacional, uma discussão que continua a mobilizar diferentes sensibilidades no panorama político angolano.
