{"id":2659,"date":"2024-05-28T17:58:18","date_gmt":"2024-05-28T20:58:18","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalfax.net\/?p=2659"},"modified":"2024-05-28T17:58:27","modified_gmt":"2024-05-28T20:58:27","slug":"agostinho-neto-nao-mandou-matar-ninguem-diz-general-pakas-sobre-o-27-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalfax.net\/index.php\/2024\/05\/28\/agostinho-neto-nao-mandou-matar-ninguem-diz-general-pakas-sobre-o-27-de-maio\/","title":{"rendered":"&#8220;AGOSTINHO NETO N\u00c3O MANDOU MATAR NINGU\u00c9M!&#8221;, DIZ GENERAL PAKAS SOBRE O &#8220;27 DE MAIO&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje vamos falar com o Man Pakas, que \u00e9 o nome mais vulgar que a gente conhece para os amigos. Para outros \u00e9 o General Pakas.<\/p>\n\n\n\n<p>NGUXI DOS SANTOS<\/p>\n\n\n\n<p>Quem \u00e9 o Manuel Mendes de Carvalho, Pakas?<br>Manuel Mendes de Carvalho, Pakas sou eu.<br>Eu chamo-me Manuel Mendes de Carvalho Pacavira, vulgarmente conhecido por Pakas ou General Pakas. Eu sou filho de Agostinho Mendes de Carvalho patrono desse memorial onde nos encontramos, natural do local onde estamos a realizar esse trabalho e de uma MumuHu\u00edla chamada Maria da Gl\u00f3ria Paulo natural da Humpata.<br>Eu tenho nas minhas ra\u00edzes origem Baluba e outra origem kimbundu na parte do meu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando \u00e9 que se tornou militar das FAPLA?<br>Eu tornei-me militar das FAPLA no dia 1 de Agosto de 1974. Participei restritamente na guerrilha do MPLA. Antes da constitui\u00e7\u00e3o das FAPLA eu j\u00e1 estava na guerrilha do MPLA. Estive no congo, ponta Negra, Dolisie e Brazzaville e estive na Z\u00e2mbia no Vici. Que era a base n\u00famero 1 vit\u00f3ria \u00e9 certa, onde Agostinho Neto permanecia a maior parte do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>VAI PARA A GUERRILHA DO MPLA EM 1974?<br>Eu n\u00e3o fui para o MPLA. Eu fui para a guerrilha do MPLA. For\u00e7a das circunst\u00e2ncias meu pai era considerado terrorista, meu pai estava preso no Tarrafal e praticamente n\u00f3s fomos for\u00e7ados pelo descontentamento a ingressar no processo revolucion\u00e1rio. Eu ainda crian\u00e7a ouvia os meus tios mais velhos que comigo viviam no bairro Ind\u00edgena, hoje chamam o bairro Ind\u00edgena de bairro dos Congolenses, mas naquela altura n\u00e3o havia nenhum congol\u00eas que estava a morar ali e, os grandes promotores, os pioneiros da revolu\u00e7\u00e3o para n\u00f3s os negros era a UPA, que era o partido que mais se falava.<\/p>\n\n\n\n<p>PORQUE QUE N\u00c3O ENTROU NA UPA?<br>Era tao pequeno. N\u00e3o sou como esses aldrab\u00f5es que dizem ter entrado no MPLA com 12 anos. N\u00e3o! Eu assisti toda aquela mortandade do 4 de Fevereiro, est\u00e1vamos para fugir levados pela minha m\u00e3e para a guerrilha. Bendita hora que o guia naquele dia n\u00e3o apareceu.&nbsp;Provavelmente n\u00e3o iriamos chegar ao Congo. Ir\u00edamos morrer ao meio do caminho. E ficamos que era para ir estudar no Anangola e at\u00e9 hoje nem no Anangola entramos e os que foram levados no primeiro dia, o carro nunca mais apareceu que era para ir nos levar. E c\u00e1 estamos.<\/p>\n\n\n\n<p>LEMBRA-SE DE ALGUNS SEUS COLEGAS NA GUERRILHA? COM QUEM COMPARTILHOU V\u00c1RIAS COISAS? V\u00c1RIOS MOMENTOS DA GUERRILHA?<br>Muitos! No 4 de abril do ano passado n\u00f3s fomos homenageados e todos os indiv\u00edduos da minha ordem, uns desertores e outros fraccionistas pertenceram ao meu grupo. Eu fiz parte do grupo dos 100. O chamado grupo dos 100. E eu fui homenageado. A princ\u00edpio n\u00e3o quis ir, mas o pessoal disse que eu tinha que ir e eu fui. A minha fam\u00edlia tamb\u00e9m aconselhou que eu tinha que ir. N\u00e3o foi um acto de generosidade de parte do Jo\u00e3o Louren\u00e7o. N\u00e3o! Aquilo \u00e9 mesmo imposi\u00e7\u00e3o pela hist\u00f3ria, porque eu estive l\u00e1. Eu estive na guerrilha nessa altura em 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>CONHECEU NITO ALVES E ZE VAN-DUNEN?<br>Conheci!<\/p>\n\n\n\n<p>FALE UM POUCO SOBRE ESSAS FIGURAS?<br>Essas figuras carism\u00e1ticas n\u00e3o eram figuras que apareciam no dia a dia para lidarem connosco. N\u00e3o! Apareciam uma vez ou outra. Eram figuras muito raras. E s\u00f3 os indiv\u00edduos que estavam ligados ao processo que eles desenvolviam \u00e9 que conviviam e participavam nas reuni\u00f5es. Eu representei as For\u00e7as de Defesa e Seguran\u00e7a em Malanje e fazia parte da Comiss\u00e3o Directiva e vi muitos desses indiv\u00edduos especialmente o Nito Alves aparecer em Malanje. Como Ministro e como militante.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Um individuo muito activo. Naltura o Coordenador da Comiss\u00e3o Directiva era o Lol\u00f3 Quitumba. O meu chefe directo era o General Mona e o General Ivady. Foi um bico de obra. Eles queriam me tirar das For\u00e7as Armadas, que era para encaixar na Comiss\u00e3o Directiva, e eu resisti. N\u00e3o queria sair nada das For\u00e7as Armadas que era para permanecer na Comiss\u00e3o Directiva. Mas fui e representei-os muito bem durante longos per\u00edodos at\u00e9 ao 27 de Maio de 1977.<\/p>\n\n\n\n<p>COMO CARACTERIZA O 27 DE MAIO?<br>27 de Maio! (sil\u00eancio). O culminar de um acto racista. Perpetrado por indiv\u00edduos muito inteligentes. E acho que muito deles pertenceram a PIDE\/DGS. Indiv\u00edduos que lutavam para derrubar o Governo constitu\u00eddo, Governo muito fragilizado, dirigido por Agostinho Neto para eles assumirem a lideran\u00e7a do pa\u00eds.&nbsp;H\u00e1 vezes que eu me farto de rir quando vejo uma s\u00e9rie de malabaristas, de vendedores de banha-de-cobra a falarem do 27 de Maio, como se fosse um acto simples em que o verdugo fosse o Agostinho Neto. &nbsp;N\u00e3o! O verdugo n\u00e3o \u00e9 o Agostinho Neto, n\u00e3o. &nbsp;At\u00e9 ao momento s\u00f3 um individuo me convenceu sobre a verdade do 27 de Maio. \u00c9 o General Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Maria. \u00c9 um individuo vertical. \u00c9 um individuo transparente. \u00c9 muito correcto. Se porventura os que foram realizar esse acto queriam dar beijinhos e abra\u00e7os \u00e0 Agostinho Neto, n\u00e3o havia necessidade de haver movimenta\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e meios. &nbsp;\u00c9 aquilo que se diz na f\u00edsica. Duma ac\u00e7\u00e3o espera-se uma rea\u00e7\u00e3o de igual ou Maior intensidade que lhe deu lugar. O 27 de Maio n\u00e3o foi um acto do dia 27 de Maio. N\u00e3o! Aquilo foi consequ\u00eancia de uma s\u00e9rie de actos antes e naquele dia 27.<\/p>\n\n\n\n<p>COMO CARACTERIZA O ACTO DO 27 DE MAIO?<br>\u00c9 muito acto. Ac\u00e7\u00f5es subversivas por parte de grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>MAS ISSO TUDO NA GUERRILHA OU DEPOIS DA GUERRILHA?<br>O 27 de Maio \u00e9 mesmo o continuar de umas ac\u00e7\u00f5es mal\u00e9ficas durante a guerrilha. O CIVICOP anda ai a procura de uma s\u00e9rie de corpos\u2026<br>E eu vou pedir aos senhores do CIVICOP para irem \u00e0 Dolisie para irem desenterrar o corpo do Matias Migu\u00e9is. Do Ferro-e-A\u00e7o. Irem para o Congo para descobrirem a Deolinda rodrigues. Porque o problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 bipolarizar s\u00f3 o MPLA e tamb\u00e9m a UNITA. Ent\u00e3o vamos ter de ir at\u00e9 ao Congo para pedir tamb\u00e9m responsabilidades \u00e0 indiv\u00edduos da FNLA. Vamos ter de ir buscar os Portugueses que \u00e9 para virem buscar os corpos que eles atiraram aos jacar\u00e9s e que eles atiraram ao rio. Vamos ter de ir a Karipande para ir fazer um DNA, estamos aqui n\u00f3s os familiares de Hogi Ya Henda que \u00e9 para ver onde ele est\u00e1 e outros indiv\u00edduos que morreram.<br>Uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es que se tem, em que as pessoas mal conhecedoras dos fen\u00f3menos que surgiram, querem fazer pron\u00fancias sobre esses factos.<\/p>\n\n\n\n<p>O 27 DE MAIO FOI UMA MANIFESTA\u00c7\u00c3O OU UMA TEND\u00caNCIA DE GOLPE DE ESTADO?<br>Tend\u00eancia para a assunp\u00e7\u00e3o do poder. Eu estava em Malanje. Fiz parte das for\u00e7as Castrenses em Malanje e \u00e9 curioso que eu sou filho de Agostinho Andr\u00e9 Mendes de Carvalho. &nbsp;O meu pai n\u00e3o \u00e9 o MPLA, nem \u00e9 o meu tio Pacavira e nem aqueles indiv\u00edduos todos que se arrogam dizer que s\u00e3o do MPLA. O MPLA \u00e9 o meu pai, meu tio Manuel Pedro Pacavira e outros indiv\u00edduos que foram buscar o MPLA. Qualquer um individuo que j\u00e1 tenha 70 e tal anos da minha gera\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o de 50, que andou pelo Congo ou pela Z\u00e2mbia ou pelas regi\u00f5es sabe muito bem em que situa\u00e7\u00e3o e estado \u00e9 que encontrou o MPLA.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estado deplor\u00e1vel. Um estado de muita desorganiza\u00e7\u00e3o. A inexist\u00eancia do MPLA. O MPLA s\u00f3 tinha o Angola Combatente. A chocalhar a sua exist\u00eancia. Porque de facto o MPLA n\u00e3o tinha estrutura. Estava desestruturado. Esses meus colegas todos do grupo dos 100 que tiveram a oportunidade de primeiro estar no Congo e depois estar na Z\u00e2mbia, n\u00f3s tivemos a possibilidade de constatar os factos reais da 2\u00aa regi\u00e3o e os factos reais da 3\u00aa e 4\u00aa regi\u00e3o. N\u00e3o nos v\u00eam vir contar que o MPLA era uma grande organiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o! Aquilo praticamente n\u00e3o existia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00e9 que fomos dar corpo ao MPLA. Por isso \u00e9 que o meu tio Pedro Pacavira e o meu pai arrogavam a dizer nas barbas de quem quer que fosse, que eles \u00e9 que eram o MPLA.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s fomos l\u00e1 parar quando o meu tio veio da 1\u00aa visita que fez a Z\u00e2mbia e no Congo. Ele disse ao meu pai: Oh Mano! O MPLA n\u00e3o existe! Tiveram que fazer um trabalho muito acelerado que foi para organizar for\u00e7as e mandar para o Congo e na Z\u00e2mbia. Porque sen\u00e3o o MPLA nem na fronteira iria conseguir p\u00f4r o p\u00e9. E depois tamb\u00e9m houve a insurrei\u00e7\u00e3o interna. Quem dirigiu a organiza\u00e7\u00e3o interna \u00e0 favor do MPLA aqui dentro \u00e9 o meu pai, meu tio Pacavira e outros indiv\u00edduos ligados ao MPLA. E tamb\u00e9m s\u00f3 se ligaram ao MPLA porque o Presidente era o Agostinho Neto, familiar e conterr\u00e2neo de muita gente daqui.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria extens\u00e3o do MPLA para a prov\u00edncia quem \u00b4\u00e9 que fez? \u00c9 o meu pai, meu tio Pacavira e outros indiv\u00edduos que fizeram a extens\u00e3o! De Cabinda ao Cunene! Porque a\u00ed onde existiu um individuo quimbundo, porque e havia muitos funcion\u00e1rios p\u00fablicos por essa Angola afora, come\u00e7aram a orientar para que come\u00e7assem a constituir os comit\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 nada aquilo que se diz, que o Kiluange veio aqui e organizou. N\u00e3o organizou nada! \u00c9 falso. \u00c9 muito falso. Porque tamb\u00e9m vamos ter de perguntar onde \u00e9 que est\u00e1 o corpo do Miro? O primo do Pedal\u00e9. Quer para virem explicar, quer para virem dizer em que condi\u00e7\u00f5es e circunst\u00e2ncias \u00e9 que mataram o Miro.<br>Isso e todo o o problema junto, que as pessoas t\u00eam que parar. Ter cotagem para vir exp\u00f4r para falar verdade. Que \u00e9 para de facto enveredarmos para uma via de reconcilia\u00e7\u00e3o. Com essas mentiras todas n\u00e3o vai haver reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>NA ALTURA DO 27 DE MAIO ENCONTRAVA-SE EM MALANJE? COMO \u00c9 QUE FOI A RECOLHA DAS PESSOAS QUE PARTICIPARAM NO 27 DE MAIO E QUAL FOI A FINALIDADE DA RECOLHA DESSAS PESSOAS?<br>Olha, dois anos antes desse macabro dia do 27 de Maio, o MPLA, Agostinho Neto e as For\u00e7as Castrenses que defendiam o Estado, j\u00e1 tinham denunciado. As den\u00fancias eram feitas a partir dos Comit\u00e9s de Ac\u00e7\u00e3o aqui em Luanda. Talvez a gente brinca que Luanda n\u00e3o \u00e9 Angola? Luanda \u00e9 mesmo Angola! \u00c9 aqui onde se decidiu. \u00c9 aqui onde se decide e ser\u00e1 aqui onde se decidir\u00e1. Porque feliz ou infelizmente \u00e9 aqui em Luanda onde a massa cinzenta dos grandes grupos \u00e9ticos e lingu\u00edsticos de Angola se concentram. Aqui onde est\u00e1 o desenvolvimento. N\u00e3o \u00e9 nada ali atr\u00e1s onde n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento, onde n\u00e3o h\u00e1 crescimento. O colono ainda fez esfor\u00e7o, foi deixando o desenvolvimento de muita coisa. E infelizmente os camaradas do MPLA, arrogantes s\u00f3 destru\u00edram.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Destru\u00edram tudo! Estamos sem uma economia organizada porque o MPLA destruiu tudo! Uns vieram de Cuba, chegaram aqui para beneficiar os Cubanos, destru\u00edram os canaviais feitos pelos Portugueses. De Catumbela, de Caxito, do Bom Jesus e de outros s\u00edtios mais.<\/p>\n\n\n\n<p>As companhias das \u00cdndias plantaram por esta Angola toda, do Soyo at\u00e9 Benguela, cajueiros. No tempo que n\u00e3o se andava de avi\u00e3o os paquetes utilizavam a castanha de caj\u00fa como especiaria para venderem nos barcos. O MPLA o que \u00e9 que fez? Destruiu todos os cajueiros Para fazer lenha e carv\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer para n\u00e3o entrarmos no caf\u00e9, porque a responsabilidade pela destrui\u00e7\u00e3o dos cafeeiros foi a guerra. A maior parte dessas zonas onde se produzia caf\u00e9 eram zonas ligadas ao teatro das opera\u00e7\u00f5es militares e aquilo ficou tudo abandonado. \u00c9 muita coisa m\u00e1 que foi feita.<\/p>\n\n\n\n<p>PODE DESCREVER O SEU ANTES 27 DE MAIO E O SEU DEPOIS 27 DE MAIO?<br>No dia em que se desenvolveram as ac\u00e7\u00f5es em Luanda, eu estava no U\u00edge. Parti do Sector Malanje, eu acompanhado pelo Comandante do Sector que era o senhor j\u00e1 falecido Vit\u00f3ria da Gl\u00f3ria Capita e fomos ao U\u00edge. Eu para participar numa reuni\u00e3o, um semin\u00e1rio para Comiss\u00e1rios Pol\u00edticos em que o Comissario Pol\u00edtico da 1\u00aa regi\u00e3o era o camarada Cassefo. Eu n\u00e3o sei como \u00e9 como ele se chama, mas o nome pelo qual era mais conhecido era Cassefo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Antes de ir para o U\u00edge, em Malanje e em fun\u00e7\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es subversivas, o COP Malanje em que estive eu, o Tony Marta, Vit\u00f3ria, o Kamaketo e outros indiv\u00edduos , o Comandante Provincial da Pol\u00edcia era o Victor Santos, o homem da Seguran\u00e7a era o Inoc\u00eancio Kene Mbila, e fui assistir.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Vit\u00f3ria ia ter com o Orlog e eu fui para participar num Semin\u00e1rio de e para os Comiss\u00e1rios Pol\u00edticos. Dormi e cheguei um dia antes, dormi na casa de um amigo natural de Malanje, o Samba para que no outro dia fosse \u00e1 reuni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Vit\u00f3ria, o Comandante do Sector tamb\u00e9m foi alojado noutro s\u00edtio pelo Comandante da Regi\u00e3o, o Comandante Orlog. De manh\u00e3 dirijo-me \u00e0 sala e posto na sala? 9? 9 e meia? 10? 10 e meia? 11? 11 e meia? Eu j\u00e1 tinha informa\u00e7\u00e3o que em Luanda a situa\u00e7\u00e3o estava complicada. Estava muito complicada. N\u00e3o entrei em p\u00e2nico, mas fiquei com medo. Pois n\u00f3s que fizemos um comunicado onde manifest\u00e1vamos nosso desejo como For\u00e7as Militares em cerrar fileiras em torno do l\u00edder. O l\u00edder era o Agostinho Neto. Fiquei preocupado porque tamb\u00e9m conhec\u00edamos e sab\u00edamos que o Kassefo tamb\u00e9m n\u00e3o fazia parte do grupo de Agostinho Neto. Fiquei preocupado. Pronto eu aqui vou morrer no U\u00edge.<\/p>\n\n\n\n<p>9 e meia? 10 e meia? 11 e meia?<br>Luanda conseguiu fazer o controlo da situa\u00e7\u00e3o e j\u00e1 n\u00e3o fizemos mais nenhuma reuni\u00e3o. E voltei \u00e0 noite com o Vit\u00f3ria. Despedimos o Orlog e regressei para Malanje.<br>Aqui em Malanje a situa\u00e7\u00e3o estava efervescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do 27 de Maio, eu acompanhei o General Canhangulo , o Manuel Katuhala que era o nome do Canhangulo e pediu-me para o acompanhar: sobrinho vamos at\u00e9 Luanda! E vim com o Canhangulo. Entramos no Minist\u00e9rio da Defesa. Quando eu entro pelo Minist\u00e9rio da Defesa, pela porta traseira do Minist\u00e9rio da Defesa, entre a escada e o Gabinete do Dimuka vejo uma s\u00e9rie de indiv\u00edduos da 9\u00aa brigada amarrados. Sem camisa. Todos! Vi o meu tio, irm\u00e3o do Loy, o Camacho. Vi o Zeca Ndongo. Zeca Ndongo era um individuo mesti\u00e7o, cabeludo parecia o Jimy Hendrix e outros indiv\u00edduos no ch\u00e3o e eles a olharem para o ch\u00e3o. Eles a olharam para mim e eu a olhar para eles. E acho que aquilo era um teste para ver se voc\u00ea falasse com eles e tamb\u00e9m te arrolavam na mesma direc\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Fiquei arrepiado. S\u00f3 olhei e subi as escadas e vou. E vou no gabinete onde estava montado o Comit\u00e9. O Comit\u00e9 estava o Ministro da Defesa e o Estado-Maior-General.<\/p>\n\n\n\n<p>QUEM ERAM OS CHEFES NESSA ALTURA A\u00cd?<br>O Ministro da Defesa era o Iko Carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>QUEM \u00c9 QUE EST\u00c1 NA CHEFIA DO ESTADO-MAIOR-GENERAL?<br>O Estado-Maior-General tornou-se no centro de aten\u00e7\u00f5es de Angola. Os Comandantes todos, aqueles que andavam com os Fiat\u00b4s verde, as altas patentes que estavam em Luanda, todos foram para o Minist\u00e9rio e se concentraram no Minist\u00e9rio. Uns para irem ver os presos e outros para participarem nas decis\u00f5es.<br>H\u00e1 vezes que a gente quer atribuir culpa ao Ludy, ao Onambw\u00e9\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>O Ludy e o Onambw\u00e9 eram muito pequenos para tomarem decis\u00f5es ali. Poderiam participar, mas para tomar decis\u00f5es, n\u00e3o! Porque ali era o s\u00edtio onde estava o Ministro e o Chefe do Estado-Maior-General.<\/p>\n\n\n\n<p>E todas as for\u00e7as ligadas \u00e0 Defesa e Seguran\u00e7a, emergiram do Estado-Maior-General. A partir das For\u00e7as Armadas \u00e9 que se fez a Disa. A partir das For\u00e7as Armadas \u00e9 que se fez a Pol\u00edcia e outras Institui\u00e7\u00f5es. Todo o mundo se concentrou ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembram-se que quando se prendeu os indiv\u00edduos da UNITA? Foram presos no Minist\u00e9rio da Defesa, pois o Minist\u00e9rio da Defesa tornou-se o Centro de decis\u00e3o. Todo o mundo foi para o Minist\u00e9rio para ir ver UNITAS que estavam presos e assistir as decis\u00f5es. Quem estava l\u00e1 era o Chefe do Estado-Maior-General, entidade m\u00e1xima e o Ministro da Defesa. O Iko Carreira, Ministro da Defesa e o Chefe do Estado-Maior-General, o Comandante Xietu. Estavam l\u00e1 todos: Toka, Dimuka! Todos esses indiv\u00edduos.<br>Um bando de cobardes. Depois desses anos todos de terem andado com o Neto, hoje com as caudas entre as pernas atribu\u00edram a responsabilidades de tudo ao Agostinho Neto? Canalhas! Bando de cobardes. Eles \u00e9 que tomaram as decis\u00f5es e o culpado \u00e9 o Agostinho Neto?<\/p>\n\n\n\n<p>Porque o Agostinho Neto disse que n\u00e3o haver\u00e1 perd\u00e3o. Agostinho Neto n\u00e3o mandou matar ningu\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, at\u00e9 aquela data 97% dos pretos aqui em Angola eram analfabetos. N\u00e3o vale a pena a gente vir aqui branquear porque muita gente s\u00f3 chegava at\u00e9 a 4\u00aa classe. Do Zangado, do Mar\u00e7al n\u00e3o passavam. Os pais j\u00e1 n\u00e3o tinham possibilidades de os levar para os Lic\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<p>E nas aldeias \u00e9 preciso a gente ter em linha de conta que em Portugal combatia-se a vadiagem. Em Angola tamb\u00e9m se combatia a vadiagem. Toda a gente tinha que estar engajado e ligado a qualquer servi\u00e7o porque a PIDE, a PSP recolhia.<\/p>\n\n\n\n<p>E a maior parte dos negros em Angola nasceram nas fazendas. Nos campos agr\u00edcolas. Ao sabor dos ditames dos Cabo-verdianos que eram o capataz e dos brancos que eram os donos dessas fazendas. N\u00e3o havia muita gente a circular nos centros urbanos. \u00c9 falso!<\/p>\n\n\n\n<p>Muita dessa gente j\u00e1 nasceu sem liberdade. Porque na fazenda quem mandava era o dono. O dono nem sempre punha l\u00e1 os p\u00e9s. Quem \u00e9 que tinham l\u00e1 a comandar? Os capatazes! E quem eram os capatazes? Os capatazes eram os Cabo-Verdianos. A maioria dos S\u00e3o Tomenses n\u00e3o gostavam de servir de capataz. Estavam mais ligados \u00e0s reparti\u00e7\u00f5es com os cargos que foram estabelecidos. Porque tiveram sempre estatuto privilegiado.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00f3s teremos no futuro muitos problemas por causa da maior parte dos Angolanos terem nascido nas fazendas. Naquele per\u00edodo transit\u00f3rio que a gente estava a negociar o Alvor para a Independ\u00eancia de Angola, tamb\u00e9m culminou com o desencadear da guerra em Angola. E essa gente saiu das fazendas e correu para conseguir seguran\u00e7a nos centros urbanos sem h\u00e1bitos de viverem dentro das urbes. Foram entrando, foram fazendo os seus \u00b4\u00b4cau\u00e9leles\u00b4\u00b4 e at\u00e9 hoje se v\u00e3o mantendo l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer dizer, que todo um processo cultural realizado foi por \u00e1gua abaixo porque no meio da fuga, com a condi\u00e7\u00e3o indigente que encontraram, cada um \u00e0 sua sorte foi sobrevivendo. E a sobreviv\u00eancia agravou toda aquela calmia, toda aquela sociabilidade e harmonia que havia em Angola. N\u00e3o devemos ter vergonha da nossa hist\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>DIZ QUE H\u00c1 VERTICALIDADE DO GENERAL Z\u00c8 MARIA SOBRE O LU\u00cdS DOS PASSOS?<br>Z\u00ea Maria diz que e reafirma que houve de facto uma ac\u00e7\u00e3o mal\u00e9fica que se iria dirigir contra o poder constitu\u00eddo e eles reagiram. \u00c9 prov\u00e1vel que na rea\u00e7\u00e3o se tenha exagerado nas medidas, porque os indiv\u00edduos que estavam ligados, cada um aproveitou para se ver livre dos seus advers\u00e1rios e seus inimigos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o acredito que seja a DISA que tinham que ir, para ter que se vingarem. N\u00e3o! Sa\u00edram, e cada um com o sentimento que transportavam, foram \u00b4\u00b4cumprir as suas miss\u00f5es\u00b4\u00b4 conforme a gente diz na g\u00edria.<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 que o Governo deveria fazer? N\u00f3s em Malanje j\u00e1 t\u00ednhamos feito um comunicado que iriamos cerrar fileiras em torno do Chefe, porque n\u00e3o est\u00e1vamos de acordo com o comportamento que eles tinham tomado antes do 27 de Maio?<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava boa. N\u00e3o! Tendia para uma subleva\u00e7\u00e3o armada e com o que aconteceu exageraram na \u00b4\u00b4tomada de medidas\u00b4\u00b4. Houve exagero, houve excesso. O pr\u00f3prio Agostinho Neto ficou preso. Depois o grupo, o dos mulatos apareceram para se verem livres dos pretos. Os pretos assimilados \u00e9 outro grupo que\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>LU\u00cdS DOS PASSOS NUMA ENTREVISTA SOBRE SI, DIZ QUE PARTICIPOU NAS MATAN\u00c7AS?<br>Eu nunca matei ningu\u00e9m e vou levar o Lu\u00eds dos Passos ao Tribunal e a tal prima que ele alega, Gostaria que o Lu\u00eds dos Passos viesse explicar \u00e0 Angola onde ele diz que eu matei, na terra dele em Malanje? Que o Lu\u00eds dos Passos viesse explicar quem \u00e9 que matou os irm\u00e3os do Botelho de Vasconcelos, o Ninano? Quem \u00e9 que matou o Aires Botelho? Quem \u00e9 que matou Ngola Mbandi? Gostaria que Lu\u00eds dos Passos viesse para explicar quem foi que matou o Kandumba? O log\u00edstico do MPLA antes da Independ\u00eancia, o Domingos Ad\u00e3o? Gostaria que Lu\u00eds dos Passos viesse para vir explicar quem \u00e9 que matou o Caj\u00f3? Quem \u00e9 que matou o Bissanzo? Gostaria que viesse explicar quem \u00e9 que matou o Nelito, o mulato, que era o Chefe das cadeias da DISA?<\/p>\n\n\n\n<p>MAS ESSES MORRERAM NA ALTURA DO FACCIONISMO? NO DIA 27 DE MAIO OU ANTES DO 27 DE MAIO?<br>Morreram nesse per\u00edodo e depois do 27 de Maio. Em que momento \u00e9 que eu matei o tio ou primo do Lu\u00eds dos Passos? Eu quero que o Lu\u00eds dos Passos apare\u00e7a em p\u00fablico, porque eu vou levar o Lu\u00eds dos Passos em Tribunal e vou levar a tal prima, porque os algozes todos andam por aqui por Angola a abanar as caudas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Lu\u00eds dos Passos tem um diferendo pol\u00edtico muito grande comigo. Porque eu e o Lu\u00eds dos Passos fomos nomeados instrutores pol\u00edticos do CIR Kwenha em Malanje. Eu at\u00e9 hoje tenho comigo a ordem de servi\u00e7o assinada pelo Comandante Dangereux que eu, o Lu\u00eds dos Passos e o Marciano de Carvalho como instrutores pol\u00edticos e o Luta M\u00e3o como Director do CIR.<\/p>\n\n\n\n<p>O Lu\u00eds dos Passos quando chega h\u00e1 Malanje, come\u00e7ou logo a organizar os grupos pol\u00edticos. Deixava de fazer os trabalhos no Centro e passava o dia em Malanje. Era conhecido como o primo Luisinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Subvertido! Devia estar preso. Porque ele \u00e9 o respons\u00e1vel por todas aquelas mortandades que surgiram em Malanje. Ele \u00e9 o respons\u00e1vel! Ele \u00e9 quem induziu em erro esse pessoal. O Lu\u00eds dos Passos tem de vir explicar quem \u00e9 que matou o Tilito. O Tilito foi colega da Ana Dias Louren\u00e7o. O Tilito foi colega do Lu\u00eds Quitumba. O Lu\u00eds dos Passos tem de vir explicar isso!<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o tempo que eu estive em Malanje eu n\u00e3o permiti que o Lu\u00eds dos Passos pegasse nos 2 mil homens que n\u00f3s tivemos no Centro de Instru\u00e7\u00e3o que era para encaminh\u00e1-los e lev\u00e1-los para a intentona. N\u00e3o lhe dei espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Olha que h\u00e1 um momento muito relevante! Venho de Malanje para Luanda que era para procurar a log\u00edstica junto do Presidente Agostinho Neto, porque eu sabia como alcan\u00e7ar o Agostinho Neto e n\u00f3s nem t\u00ednhamos comida, n\u00e3o t\u00ednhamos fardas. N\u00e3o t\u00ednhamos nada. Ele abriu a pala do envelope, me deu um documento, mas algo me estava a dizer que estava a levar uma bomba. Abri a carta e li, onde ele anunciava ao Filomeno Vieira Lopes, o Fil\u00f3 conforme a gente o tratava.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque a maior parte dessa gente toda no bairro do Caputo. E ele diz na carta: Fil\u00f3! N\u00e3o conseguimos fazer o trabalho com o Pakas, porque o Pakas n\u00e3o \u00e9 dos nossos.<br>Eu tirei c\u00f3pia daquilo e fui devolver ao Fil\u00f3. E disse-lhe. Fil\u00f3! Eu trazia essa carta e algo me estava a dizer que esta carta estava errada e eu abri. Voc\u00ea me perdoa e tamb\u00e9m j\u00e1 copiei. Est\u00e1 aqui a sua carta. O seu amigo diz que eu n\u00e3o devia participar nessa actividade, porque eu n\u00e3o fazia parte do vosso grupo.<br>O Filomeno Vieira Lopes est\u00e1 vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>E eu nunca lhe dei espa\u00e7o e n\u00e3o dava espa\u00e7o ao Lu\u00eds dos Passos porque o meu pai \u00e9 o mentor do desenvolvimento do MPLA em Angola. Estava ao corrente de tudo. N\u00f3s eramos informados. Nunca conspirei contra ningu\u00e9m. Eu sou um individuo muito fiel. Sou um individuo muito leal.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual era o grupo do Lu\u00eds dos Passos? O Lu\u00eds dos Passos arranjou muita intriga e de muita intriga a fazer, que por pouco me ia custando a vida! Valeu o bom senso do Tony Marta. Valeu o bom senso do Comandante Ivady. Quando se aperceberam que ele era um individuo subversivo e muito malandro, mandaram-lhe para o sul de Angola numa coluna militar que foi em direc\u00e7\u00e3o ao Bi\u00e9 Comandada pelo Kamaketo. E ali empurraram o Lu\u00eds dos Passos como quem diz \u00b4\u00b4o diabo que-lhe-carregue\u00b4\u00b4. O Lu\u00eds dos Passos nunca mais vai ser meu amigo. Ele quando saiu da toca, eu ainda fui v\u00ea-lo em casa do irm\u00e3o dele, o Boaventura Cardoso Apesar das maldades que tinha criado, eu fui l\u00e1 constatar se a pele dele era igual a do crocodilo, se estava igual a do Jacar\u00e9? A pele dele estava a brilhar. Parecia a pele de um gajo que estava a sair agora do ar condicionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu fui at\u00e9 a casa do irm\u00e3o dele que estava com ele para lhe desejar as boas vindas.<\/p>\n\n\n\n<p>FALE-NOS UM BOCADO SOBRE O ACTO DA PROCLAMA\u00c7\u00c3O DA INDEPENDENCIA EM MALANJE? A DISTRUI\u00c7\u00c3O DA PONTE DO RIO KWANZA E A CONFEC\u00c7\u00c3O DA BANDEIRA DA REP\u00daBLICA?<br>A bandeira da Rep\u00fablica Popular de Angola foi i\u00e7ada em Malanje \u00e0s 0 horas do dia 11 de Novembro de 1975. E foi costurada por uma senhora em Malanje, que tamb\u00e9m foi acusada de fraccionista que se chama Aida Macedo. Ele vive e est\u00e1 em Malanje. Aida Macedo mais a irm\u00e3 dela foram quem costuraram a bandeira da Rep\u00fablica Popular de Angola i\u00e7ada em Malanje. Foi feita \u00e0 m\u00e3o, porque Aida Macedo, fazia parte do MPLA.<\/p>\n\n\n\n<p>O i\u00e7ar da bandeira? A bandeira em Malanje no acto da Independ\u00eancia foi i\u00e7ada por um destacamento da Pol\u00edcia Militar. A Pol\u00edcia Militar era comandada pelo Comandante Noite e Dia coadjuvada pelo Judoca, onde nesse acto estavam uns rapazes muito jovens: o St\u00e1line, o Criminal, o Beto e outros indiv\u00edduos. Qual qu\u00ea ele vir dizer que trouxe da frente de combate 100 homens e ele i\u00e7ou a bandeira? \u00c9 tudo falso! Mentiroso!<\/p>\n\n\n\n<p><br>Ele \u00e9 falso! \u00c9 um bandido! Aida Macedo est\u00e1 viva. Lol\u00f3 Quitumba esta vivo. Todos eles podem vir para testemunhar esse facto.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Acerca da ponte? Diz ter partido a ponte! Isso \u00e9 falso. Falso! O Disciplina e o Ngutu eram pi\u00f5es. N\u00e3o decidiam nada. N\u00e3o faziam parte da direc\u00e7\u00e3o. O Comandante era o Ivady. A actividade foi programada para irem em direc\u00e7\u00e3o Kwanza. Os cubanos tamb\u00e9m participaram. As for\u00e7as eram mistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uns dias antes o Disciplina estava a fazer treinos por causa do Grade P-1 e partimos. \u00c1 meio da caminhada fomos surpreendidos pelas for\u00e7as sul africanas. Havia no ar uma aeronave sul africana que estava no ar para fazer corre\u00e7\u00e3o de fogo. O inimigo come\u00e7ou a fustigar-nos com uma arma muito perigosa: o canh\u00e3o 8.8, e \u00e9 curioso que numa determina altura entra um obus pelo canh\u00e3o do cubano, estoirou o canh\u00e3o e arrancou a cabe\u00e7a do cubano.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O General Cubano ordenou a retirada em debandada das for\u00e7as dele, passou para o outro lado da margem do rio Kwanza e destruiu a ponte.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O Comandante Ivady e n\u00f3s todos est\u00e1vamos do outro lado. Qual Lu\u00eds dos Passos qual qu\u00ea? Aldrab\u00e3o! Bandido! Anda a se vangloriar que era um comando? Esse curso de comando ele fez aonde? Na 2\u00aa regi\u00e3o ningu\u00e9m fez nenhum curso de Comando! Enquanto l\u00e1 estivemos, \u00edamos fazendo anima\u00e7\u00e3o militar. T\u00ednhamos como Comandante: Kiamuxinde e Yamucinde, o Terror, o Bandeira. Portanto faziam parte de um grupo de indiv\u00edduos que tinham vindo do Sud\u00e3o. \u00c8 que o pr\u00f3prio Centro de Instru\u00e7\u00e3o de Kalunga tinha muito mais instruendos do que instrutores e n\u00e3o contava com aquela avalanche de instruendos que tinham surgido.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico grupo organizado era o do Henriques Abranches, que estava a dar topografia \u00e0 um pelot\u00e3o, porque o resto, de organiza\u00e7\u00e3o militar n\u00e3o tinha quase nada.<br>Onde \u00e9 que Lu\u00eds dos Passos fez o curso de comando? Onde e quando? Eu acho que desde que ele nasceu n\u00e3o fez nenhum curso de comando nem militar. Porque ao renascer da guerra, \u00e1 uma dada altura, a gente s\u00f3 tinha pessoal que s\u00f3 sabia disparar e que nem muni\u00e7\u00e3o para fazer carreira de tiro n\u00e3o existia. \u00c9 pura mentira. \u00c9 falso! H\u00e1 \u2018muita gente que est\u00e1 viva. Tem muita gente e at\u00e9 o Ministro do Interior Laborinho, tamb\u00e9m pode vir depor. Que \u00e9 para dizer se \u00e9 mentira ou verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>A DISA EM 27 DE MAIO EM MALANJE E NDALATANDO! ONDE ESTEVE?<br>Em Malanje eu nunca fiz parte da DISA. Eu fui sempre Comiss\u00e1rio Pol\u00edtico e Comiss\u00e1rio Pol\u00edtico subalterno. Eu nunca liderei nenhum processo como titular. Nunca! O Chefe da DISA em Malanje era o Inoc\u00eancio Nkene Mbila e no Kwanza Norte era o Kipakassa, coadjuvado pelo Sotto e coadjuvado pelo Sim\u00e3o. Nunca fui titular de nada. N\u00e3o tive rela\u00e7\u00f5es com o Nito Alves.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00c1 ALGUMA VEZ ESTEVE COM O COMANDANTE NITO ALVES? QUAL ERA A RELA\u00c7\u00c3O QUE TEVE COM A ALA DE NITO ALVES E JOS\u00c9 VAN DUNEN?<br>O Nito Alves foi muitas vezes \u00e0 Malanje. N\u00e3o falo do Jos\u00e9 Van D\u00fanem, mas o Nito foi. Era uma constante. Chegou uma dada altura, Malanje pelo n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o, que foi sempre o centro escolhido para a realiza\u00e7\u00e3o dos grandes eventos do MPLA.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Porque Malanje tinha capacidade que era para albergar diariamente ao pequeno almo\u00e7o, almo\u00e7o e jantar para mais de 2.000 pessoas. Tinha um almoxarifado. Depois das escaramu\u00e7as contra a UNITA e a FNLA em Malanje, a Comiss\u00e3o Directiva do MPLA em Malanje, recolheu daqueles estabelecimentos comerciais abandonados, recolheu tudo! Loi\u00e7a, len\u00e7\u00f3is, colch\u00f5es. Recolheu tudo e criou um almoxarifado. Uma esp\u00e9cie de aparthotel.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Os eventos eram muitos dirigidos para Malanje. E o Nito Alves tamb\u00e9m apareceu. Eu era membro da comiss\u00e3o Directiva. O Nito Alves nunca foi para Malanje para reunir com as chefias militares. N\u00e3o! Ele interligava com a Comiss\u00e3o Directiva.<\/p>\n\n\n\n<p>GENERAL PAKAS\u201d A LUTA DE LIBERTA\u00c7\u00c3O CONTRA O COLONIALISMO PORTUGU\u00caS COM TENTATIVAS DOS ANGOLANOS A PROCURA DA PAZ. O POVO ANGOLANO DENTRO DA ESCRAVATURA E DEPOIS A INDEPEND\u00caNCIA E DEPOIS A LUTA ENTRE IRM\u00c3OS? O QUE \u00c9 QUE NOS PODE FALAR EM 50 ANOS DE INDEPEND\u00caNCIA E CONTINUAMOS A FALAR DE PAZ? SER\u00c1 QUE O POVO ANGOLANO J\u00c1 ALCAN\u00c7OU A VERDADEIRA PAZ?<br>Pelo menos no contentor n\u00e3o h\u00e1 paz. A colocar \u00f3dio no seio da juventude? Os mi\u00fados imberbes do MPLA contra os jovens da UNITA? Aqui n\u00e3o h\u00e1 paz. N\u00f3s todos passamos por isso! Quando entramos eramos jovens, primeiro para lutar contra o colonialista portugu\u00eas. Depois entramos, entramos nessa macabra guerra FNLA de um lado, UNITA do outro, e por tudo isso o MPLA sempre apareceu como a v\u00edtima do processo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Essa posi\u00e7\u00e3o v\u00edtima tem uma explica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Mesmo a morte do doutor Jonas Malheiro Savimbi, tem uma explica\u00e7\u00e3o. Faz-me lembrar a hist\u00f3ria de Mo\u00e7ambique. A hist\u00f3ria do Gungunhana.<\/p>\n\n\n\n<p>Para aqueles que estudaram na escola colonial portuguesa, quando se falava de Mo\u00e7ambique aparecia o Gungunhana, um individuo mesti\u00e7o com uma barriga grande sem camisa. Foi assim que a malta tamb\u00e9m come\u00e7ou a diabolizar a imagem do Savimbi. J\u00e1 aqui em Angola foi colega de muita gente. Em Portugal foi colega de muita gente. Era um indiv\u00edduo tecnicamente bem formado, politicamente bem formado acho melhor que o Ndalo \u00e9 melhor que esses mulatos. N\u00e3o havia muitos pretos na universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas felizmente esses problemas pelo menos apareceram porque era filho de um indiv\u00edduo assimilado, o velho Malheiro e que projectou o seu filho, esse pelo menos esteve na guerrilha foi membro do MPLA.<\/p>\n\n\n\n<p>O qu\u00ea que lhes assustou no MPLA? Quando chegou deparou-se com aqueles mulatos da PIDE, com aqueles indiv\u00edduos que vinham com aquela experi\u00eancia macabra e preferiu ir embora. Ele foi se embora e foi assassinado por racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>QUEM, O SAVIMBI? FOI ASSASSINADO POR RACISMO? COMO ASSASSINADO? N\u00c3O FOI EM COMBATE?<br>N\u00e3o! \u00c9 falso.<\/p>\n\n\n\n<p>A UNITA DIZ QUE ELE MORREU EM COMBATE!<br>\u00c9 uma hist\u00f3ria muito mal contada. H\u00e1 muita coisa que precisa ser bem contada. E garanto que vai ser muito dif\u00edcil, os negros entenderem, se os experts que conhecem a hist\u00f3ria se n\u00e3o acelerarem na corrida, que \u00e9 para estancarem.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O racismo vai devorar Angola, porque afinal de contas os racistas s\u00f3 s\u00e3o os pretos. Quando a gente vai para Portugal, andam ai os Andr\u00e9s Venturas e muito mais. Os outros l\u00e1 fustigam contra os pretos e n\u00e3o s\u00f3. Fustigam tamb\u00e9m contra os ciganos. V\u00e3o tamb\u00e9m para o Algarve e o Alentejo e fustigam contra aquela miscel\u00e2nea do povo que est\u00e3o no Alentejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mulatos tamb\u00e9m tiveram um per\u00edodo bastante dif\u00edcil aqui em Angola. Dif\u00edcil porque as \u00b4\u00b4mulas\u00b4\u00b4, que eram as m\u00e3es delas pariam esses mulatos. Esses mulatos ficavam na sanzala a lamentar. Os tais pais tamb\u00e9m n\u00e3o podiam registar porque a lei colonial n\u00e3o permitia, porque muitos s\u00f3 esperaram a Independ\u00eancia de Angola para procurar o nome do pai e tamb\u00e9m colocavam o nome do pai \u00e0 revelia. Eles tamb\u00e9m fizeram a revolu\u00e7\u00e3o deles, dos mesti\u00e7os contra os pais ou a ra\u00e7a dos pais, e chegou uma dada altura foram arregimentando a maioria dos pretos.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A fome em Angola tem cor e est\u00e1 desproporcionalizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tivermos em conta a regra de proporcionalidade, meia d\u00fazia de mesti\u00e7os s\u00e3o os detentores de boa parte de toda a fortuna de Angola. E muitos deles andaram connosco durante esse tempo de guerra e j\u00e1 n\u00e3o vivem aqui. J\u00e1 est\u00e3o em Portugal. Instalaram-se em Portugal. Compraram casas, fizerem \u00b4\u00b4patriamento\u00b4\u00b4 de capitais em Portugal, na Europa e noutros pontos fora de Angola.<\/p>\n\n\n\n<p>E foram acompanhados de seus sequazes, os assimilados. Hoje vivem em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o andamos aqui durante esse tempo? O pa\u00eds precisa!<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma pergunta que costumo a fazer. Porqu\u00ea que os pretos \u00e9 que s\u00e3o os pobres em Angola? Para quem sabe fazer aritm\u00e9tica, se for fazer um exerc\u00edcio de aritm\u00e9tica, se for fazer um exerc\u00edcio de aritm\u00e9tica ou de matem\u00e1tica para ver as proporcionalidades, vamos chegar a conclus\u00e3o de que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 boa.<\/p>\n\n\n\n<p><br>E quem \u00e9 que disse que esses mulatos todos que tamb\u00e9m n\u00e3o tinham pai, que s\u00f3 tinham m\u00e3e, acolhidos pelas igrejas foram melhores que n\u00f3s?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s que andamos a estudar aqui em Luanda, no Lubango? O que \u00e9 que se passou para a riqueza ficar concentrada com esses mulatos, Cabo-verdianos, S\u00e3o Tomenses?<\/p>\n\n\n\n<p>E mais! E tiveram mais visibilidade porque apareceram aqui em Angola como for\u00e7as auxiliares de implementa\u00e7\u00e3o do colonialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>O nosso inimigo at\u00e9 1974 era o branco. Bastava olhar para um branco, a gente afastava-se logo. Hoje ficou um bocadito mais complicado. Porque essa gente est\u00e1 sempre a manipular o poder e a manipular os pretos.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja l\u00e1 um individuo que nasceu numa fazenda, cresceu na Fazenda? Habituado a ver o colono, o representante do colono? Sem urbanidade porque nunca viveram nos centros urbanos. Tornaram-se pe\u00e7as f\u00e1ceis para serem manietados. Isso tem explica\u00e7\u00e3o. A maior parte desses indiv\u00edduos no tempo do colono nem aceitavam ser Angolanos. Porque eram Cabo-verdianos, \u00e9 isso \u00e9 daquilo. E agora j\u00e1 s\u00e3o Angolanos?<\/p>\n\n\n\n<p><br>Pois! Tudo com a cumplicidade do Iko Carreira e a sua camarilha de mesti\u00e7os. Iko Carreira parte para o Kwanza Sul e mobiliza os mulatos do Kwanza sul. S\u00e3o esses que v\u00eam e ficam nas dire\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio e do Estado-Maior-General. A Maioria! Tomaram o poder!<\/p>\n\n\n\n<p><br>Desde \u00e9 que aqui em Angola, o General Jo\u00e3o de Matos, poderia ser Chefe do Estado-Maior-General? \u00c9 meu amigo. Gostava muito dele. Mas ele n\u00e3o teve requisitos para ser chefe do Estado-Maior-General.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia uma s\u00e9rie de alferes, uma s\u00e9rie de cabos milicianos na era colonial. Pretos Angolanos. Cabindas, Mussorongos do Zaire, gente do Lubango, do Huambo? Voc\u00ea vai buscar um indiv\u00edduo de 4\u00aa classe quando temos outros com o 7\u00ba ano?<\/p>\n\n\n\n<p><br>Quer dizer que o colocaram porque ele era um g\u00e9nio? N\u00e3o vimos em nada que demonstrasse esse facto. De ser um g\u00e9nio? Eram j\u00e1 os tais alinhamentos na corrup\u00e7\u00e3o para o desvio pol\u00edtico e ideol\u00f3gico. E mudamos de rumo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanta gente com forma\u00e7\u00e3o, melhores que o Furtado, que tamb\u00e9m \u00e9 cabo-verdiano. Ent\u00e3o voc\u00eas est\u00e3o a ver que os Angolanos s\u00f3 t\u00eam matumbos? Entre os Angolanos s\u00f3 t\u00eam matumbos? N\u00f3s somos matumbos? Quando essa gente apareceu aqui em Angola n\u00f3s j\u00e1 and\u00e1vamos na escola. Como \u00e9 que voc\u00ea se rodeia, voc\u00ea e a mais alta entidade do pa\u00eds? Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 a ver os Angolanos?<\/p>\n\n\n\n<p>Quer dizer que do ponto de vista pol\u00edtico e ideol\u00f3gico h\u00e1 um desvio de linha.<\/p>\n\n\n\n<p>QUAL \u00c9 A SUA OPINI\u00c3O SOBRE O PROCESSO DE HARMONIZA\u00c7\u00c3O E DE RECONCILIA\u00c7\u00c3O NACIONAL DO PRESIDENDE DA REP\u00daBLICA?<br>Eu acho que Jo\u00e3o Louren\u00e7o transformou-se num malabarista. Um vendedor de banha-de-cobra. Vendedor de banha-de-cobra. Eis a raz\u00e3o que eu digo que o General Z\u00ea Maria \u00e9 vertical. Ele \u00e9 firme. N\u00e3o quer viver de benesses. Ele enveredou pela verdade. Digam o que tiverem a dizer. Porque h\u00e1 trai\u00e7\u00e3o. As pessoas hoje est\u00e3o a vender factos a troco de dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O Jo\u00e3o Louren\u00e7o perante esse processo do 27 de Maio n\u00e3o estava aqui em Luanda. Jo\u00e3o Louren\u00e7o estava em Cabinda. O que \u00e9 que ele sabia desse processo em Cabinda?<\/p>\n\n\n\n<p>Cabinda n\u00e3o foi nada dos Centros de maior subvers\u00e3o. N\u00e3o foi em Cabinda onde se provocaram as grandes mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>As grandes mortes foram provocadas na comunidade Kimbundu. Bengo, Malanje, Kwanza Norte! E eu pergunto? Matar os quimbundos porqu\u00ea? Porque \u00e9 que mataram os kimbundus?<\/p>\n\n\n\n<p>O colono branco n\u00e3o gostava dos quimbundos. E agora os colonos pretos entraram e n\u00e3o gostam dos quimbundos. Qual \u00e9 a causa? \u00c9 a nossa clarivid\u00eancia? A nossa honestidade? A nossa defesa de princ\u00edpios?<\/p>\n\n\n\n<p><br>H\u00e1 uma s\u00e9rie de indiv\u00edduos aqui em Angola. Quando se fala que morreram 200 mil pessoas, tamb\u00e9m n\u00e3o acredito. \u00c9 falso! Mas aqui morreu muita gente.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 conversaram com os familiares desses indiv\u00edduos que estiveram nas masmorras? J\u00e1 conversaram com as fam\u00edlias desses indiv\u00edduos que morreram? J\u00e1 conversaram com os indiv\u00edduos que estiveram nas masmorras no Moxico, no S\u00e3o Nicolau? Aqui em Luanda? J\u00e1 conversaram com essa gente? J\u00e1 conversaram com os familiares, com os filhos desses indiv\u00edduos que foram assassinados?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho um sobrinho, estava para traz\u00ea-lo hoje aqui, que \u00e9 filho do meu primo, M\u00e1rio Jorge, irm\u00e3o do General Biby. M\u00e1rio Jorge de Carvalho. Foi assassinado e na presen\u00e7a do tio av\u00f4. J\u00e1 chamaram os algozes, os verdugos que \u00e9 para virem depor? Que \u00e9 para falarem sobre o 27 de Maio?<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o o Jo\u00e3o Louren\u00e7o \u00e9 que \u00e9 o todo-poderoso, o senhor que nem conhece esse processo, ele \u00e9 que est\u00e1 a fazer perguntas? Ele \u00e9 que est\u00e1 a tentar fazer artefactos que \u00e9 para iludir e enganar o povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Louren\u00e7o est\u00e1 a procura de medalhas. Est\u00e1 a procura de uma ta\u00e7a. \u00c9 um malabarista. \u00c9 um vendedor de banha-de-cobra.<\/p>\n\n\n\n<p>MENSAGEM AOS INDIV\u00cdDUOS LIGADOS DIRECTAMENTE AO 27 DE MAIO.<br>Quais? S\u00e3o muitos os indiv\u00edduos ligados ao 27 de Maio. Eu acho que a gente tem de criar uma comiss\u00e3o de verdade. Comiss\u00e3o de verdade! \u00c9 preciso ouvir toda a gente. E os assassinos que tamb\u00e9m est\u00e3o a\u00ed?<\/p>\n\n\n\n<p>O problema do 27 de Maio n\u00e3o se resume nos que morreram. H\u00e1 muita gente que viveu. J\u00e1 falaram com essa gente? Como \u00e9 que v\u00e3o reparar os danos que provocaram nesses indiv\u00edduos que estiveram presos e sa\u00edram? Como \u00e9 que v\u00e3o reparar os danos \u00e0s esposas e filhos dessa gente? Como \u00e9 que essa gente ser\u00e1 integrada na sociedade?<\/p>\n\n\n\n<p>O Jo\u00e3o Louren\u00e7o \u00e9 o qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>Um processo t\u00e3o macabro, tao complexo como este? N\u00e3o acha que a gente tem de criar uma comiss\u00e3o multidisciplinar que \u00e9 para a gente ver isso? Onde haja imparcialidade. \u00c9 com os amigos dele, que ele est\u00e1 a meter na CIVICOP? E muitos naquela altura n\u00e3o tinham express\u00e3o e nem conhecem isso. Est\u00e3o a fazer leituras. Est\u00e3o a se posicionar livresca mente sobre um processo complicado.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00eam aqui em Icolo e Bengo! Vamos \u00e0 Malanje que \u00e9 para ver os danos que o 27 de Maio provocou.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque o Lu\u00eds dos Passos est\u00e1 aqui! N\u00e3o! H\u00e1 muita coisa para ser reparada aqui em Angola. N\u00e3o \u00e9 o Jo\u00e3o Louren\u00e7o! \u00c9 um vendedor de banha-de-cobra.<\/p>\n\n\n\n<p>MENSAGEM PARA AS V\u00cdTIMAS DO 27 DE MAIO E VI\u00daVAS?<br>A mensagem \u00e9 que n\u00e3o devem aceitar t\u00e3o somente a guia. Meu sobrinho est\u00e1 a\u00ed. Esse filho de meu primo, o Marito. O M\u00e1rio Jorge. N\u00e3o conseguem fazer o enquadramento do mi\u00fado. Deram-lhe a guia que foi morto o pai e agora o mi\u00fado precisa de tratar a documenta\u00e7\u00e3o- Vejam l\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o caricata. Matam o meu primo Marito. A senhora estava gr\u00e1vida desse meu primo. Esse mi\u00fado est\u00e1 com 46 anos de idade e depois de ela parir , aquilo foi s\u00f3: pariu, agarraram na M\u00e3e e mataram a M\u00e3e. O mi\u00fado n\u00e3o tem nem Pai e nem M\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele agora quer tratar do bilhete de identidade. Como \u00e9 que fica isso? A CIVICOP como \u00e9 que vai resolver isso? Irm\u00e3 do Kiluanje! Marido foi executado e logo de seguida executaram a senhora. A senhora depois de parir, mal pariu, pegaram no beb\u00e9 e mataram a senhora.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e9todos nazistas! Terroristas! Bandidos! Est\u00e1 a\u00ed o mi\u00fado. O mi\u00fado est\u00e1 aqui. Quer tratar do bilhete de identidade e n\u00e3o sabe como tratar o bilhete de identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Oxal\u00e1 que a CIVICOP venha trazer essas solu\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 que vamos recuperar as frustra\u00e7\u00f5es? Os traumas dessa gente toda?<\/p>\n\n\n\n<p>Olha que eu tamb\u00e9m n\u00e3o fui assassinado por ser filho de quem sou?<\/p>\n\n\n\n<p>Pois, porque houve muita vingan\u00e7a nessa altura. Eles est\u00e3o a\u00ed. Voc\u00ea acha que aqui vai haver paz? Acham que com essa gente vai haver paz? Vai haver reconcilia\u00e7\u00e3o?<br>Se eles est\u00e3o a se esconder. Est\u00e3o a tentar apagar com a hist\u00f3ria. E andam a nos perseguir, a pensar que n\u00f3s somos f\u00e1ceis tamb\u00e9m de levar. Eu estou nesse processo desde a minha tenra idade. Fui v\u00edtima do colono branco. Agora estou a ser v\u00edtima do colono preto.<\/p>\n\n\n\n<p>Daqui para frente, vit\u00f3ria ou morte. N\u00e3o vamos nada aceitar sevicias destes malfeitores.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual CIVICOP, qual qu\u00ea? Fa\u00e7am uma Comiss\u00e3o. V\u00e3o \u00e0 \u00c1frica do sul que \u00e9 para colher a experi\u00eancia da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho 71 anos de idade. Eu estava vivo. N\u00e3o tenho qualquer responsabilidade com nenhum assassinato que foi feito. N\u00e3o! Fa\u00e7am uma comiss\u00e3o isenta, transparente e com gente honesta. Chamem a sociedade civil que \u00e9 pata participar. N\u00e3o \u00e9 com decreto do camarada Jo\u00e3o Louren\u00e7o. Est\u00e1 mal! Quer dizer, que ele quer perpetuar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui ningu\u00e9m vai matar ningu\u00e9m, porque v\u00e3o \u00b4\u00b4tomar medidas activas\u00b4\u00b4. N\u00f3s nos conhecemos todos. E feliz ou infelizmente, maior parte desses algozes moram misturados connosco nos musseques.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque deviam ter pelo menos o cuidado de fazerem um bairro que \u00e9 para meterem esses verdugos. N\u00e3o! Eles vivem em bairros onde a gente vive.<br>N\u00e3o estamos satisfeitos. N\u00f3s somos Angolanos.<\/p>\n\n\n\n<p>EM QUE CONDI\u00c7\u00d5ES VISITOU PRESOS DO 27 DE MAIO E AS LOCALIDADES E O ESTADO EM QUE SE ENCONTRAVAM?<br>No 27 de Maio em Malanje os meninos ficaram aprisionados no almoxarifado no 2\u00ba andar em Malanje. O \u00fanico individuo, penso, que ia visit\u00e1-los todos os dias \u00e0 noite, era eu. Est\u00e3o vivos. Chama-os que \u00e9 para vir confirmar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu ia com regularidade visit\u00e1-los. E n\u00e3o sabia que estava a correr riscos. Eu estava tamb\u00e9m para ser executado em Malanje. H\u00e1 presos que sabem e confirmam isso. \u00c9 prov\u00e1vel, porque o meu pai era uma alta individualidade, e ficaram com medo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tempos estive com uns indiv\u00edduos que foram carrascos no 27 de Maio, um que est\u00e1 a me dizer que o meu pai \u00e9 que foi o respons\u00e1vel! Ah? Meu pai nunca foi o Presidente da Rep\u00fablica! Meu pai nunca foi Primeiro Ministro! O meu pai naquela altura n\u00e3o era ministro de nada. O meu pai n\u00e3o foi chefe das cadeias. Nem da DISA.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 que o meu pai era o respons\u00e1vel?<\/p>\n\n\n\n<p>Meu pai andava numa organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Essa organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 que come\u00e7ou a ver a forma como se manifestavam nos bairros por interm\u00e9dio dos grupos de ac\u00e7\u00e3o e foi denunciando que ria haver golpe.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora aqui, quem tomou a decis\u00e3o \u00e9 que \u00e9 o respons\u00e1vel. Ent\u00e3o o meu pai \u00e9 que \u00e9 o respons\u00e1vel? E esses que foram assassinar em consci\u00eancia \u00e9 que s\u00e3o boas pessoas?<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 que fica?<\/p>\n\n\n\n<p>Estive uma vez com o Comiss\u00e1rio K\u00fadia que foi comiss\u00e1rio da 1\u00aa regi\u00e3o no tempo do camarada Comandante kugigila. Estamos a almo\u00e7ar em minha casa e o K\u00fadia aparece e na mesa come\u00e7a a dizer que o meu pai \u00e9 o respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu pai nunca foi ministro, n\u00e3o foi chefe da DISA, n\u00e3o foi chefe das cadeias.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o acha que o K\u00fadia naltura que foi pedir emprego, n\u00e3o deveria aceitar esse emprego porque esse emprego estava cheio de sangue dos camaradas, dos colegas dele?<br>N\u00e3o seria bom que esse Lu\u00eds dos Passos quando lhe foram buscar, recebeu dinheiro e casa da seguran\u00e7a do estado. N\u00e3o \u00e9 o dono do Balumuka? Ent\u00e3o um gajo que fica<\/p>\n\n\n\n<p>\u00b4\u00b4preso\u00b4\u00b4, o dinheiro sai aonde? Onde \u00e9 que saiu o dinheiro? Est\u00e3o ligados aos servi\u00e7os de intelig\u00eancia. S\u00e3o bufos. Malfeitores!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o seria bom que o Lol\u00f3 Quitumba e seus irm\u00e3os ao inv\u00e9s de virem assumir os cargos que lhes foram dados no tempo do Jos\u00e9 Eduardo, que tamb\u00e9m estava ligado ao fraccionismo, recusarem e exigirem transpar\u00eancia, legalidade, mas aceitaram os cargos?<\/p>\n\n\n\n<p>O Adriano Botelho de Vasconcelos, o Ninano, o Kimbemba perdeu o irm\u00e3o. Vai receber cargos de qu\u00ea? N\u00e3o sabem que esses cargos t\u00eam sangue? N\u00e3o est\u00e3o preocupados? Honestos como? Os outros \u00e9 que s\u00e3o os malfeitores e eles s\u00e3o os vil\u00f5es? Est\u00e3o a receber essas benesses? Vil\u00f5es!<\/p>\n\n\n\n<p>GENERAL PAKAS? ASSISTIU \u00c0 FUZILAMENTOS OU PARTICIPOU NO 27 DE MAIO?<br>Eu n\u00e3o assisti, mas vi muita gente a ir. Quando eu vou para o Kwanza Norte, no dia que eu cheguei a N\u2019Dalatando, hospedei-me na casa da seguran\u00e7a do estado. Da DISA. Nessa noite, h\u00e1 um individuo que sai da 1\u00aa regi\u00e3o que vai para Malanje e eu saio com esse em direc\u00e7\u00e3o ao Kwanza Norte \u00e0 noite. Depois da gente jantar mataram muita gente.<\/p>\n\n\n\n<p>Prenderam e mataram todos aqueles indiv\u00edduos que estavam l\u00e1. Domingo \u00e0 noite. Onde \u00e9 que anda esse individuo que era subordinado do Saturnino? Foi propositadamente para Malanje, de Malanje fomos para o kwanza Norte, eu para assumir as responsabilidades de Comissario Pol\u00edtico. Est\u00e1 onde ele? Est\u00e3o aonde aqueles indiv\u00edduos que eu \u00e1 noite a dormir na sala entraram numa briga, ele e mais os outros indiv\u00edduos e mataram? Aonde \u00e9 que eles est\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Quem quer falar do 27 de Maio nas prov\u00edncias onde foram assassinados os indiv\u00edduos, o Comit\u00e9 era constitu\u00eddo pelo Comandante da Pol\u00edcia, constitu\u00eddo pelo Comandante das For\u00e7as Armadas, pelo homem do Sinfo e outras entidades. Esses \u00e9 que t\u00eam de responder!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o de irem para l\u00e1, que \u00e9 para perguntarem quem \u00e9 o Comandante? Quem \u00e9 o chefe do Sinfo, quem eram estes e aqueles? Ent\u00e3o esses \u00e9 que se tinham constitu\u00eddo no comit\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vale a pena andar a procura ou \u00e0 ca\u00e7a \u00e0s bruxas, porque s\u00e3o esses indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>Orienta\u00e7\u00e3o a n\u00edvel nacional? Era o Estado-Maior-General! Se \u00e9 para perguntar quem era o Ministro ? Quem era o Estado-Maior-General? Quem eram os indiv\u00edduos que faziam parte do elenco?<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos aqui na ca\u00e7a as bruxas como a procura de uma agulha no palheiro? Estamos a fugir no cerne da quest\u00e3o que \u00e9 para arranjar os bodes expiat\u00f3rios para vir justificar os assassinatos. Est\u00e1 mal! Quem n\u00e3o deve n\u00e3o teme. E vamos l\u00e1. Quem n\u00e3o deve, n\u00e3o teme.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixemos de atacar o Presidente Agostinho Neto. O Agostinho Neto num momento logo ap\u00f3s o dia 27\/28 apareceu sentado numa cadeira onde ele baloi\u00e7ava, muito triste. Porque o gabinete do Agostinho Neto foi invadido pelo Iko Carreira e por mais uma pessoa que eu n\u00e3o quero falar quem \u00e9. E foram amea\u00e7ar o Agostinho Neto. Com as pistolas fora do coldre.<\/p>\n\n\n\n<p>O Agostinho Neto manifestou-se junto do meu pai: Agostinho! J\u00e1 viste? Ningu\u00e9m me respeita! O Iko mais um individuo (que eu n\u00e3o cito o nome) entraram para o meu gabinete com as pistolas fora do coldre. Vieram me amea\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Iko Carreira nunca foi boa pessoa. Iko carreira nunca foi boa pessoa. Esses mesti\u00e7os nunca foram boas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte desses indiv\u00edduos fizeram parte da FUA e de outras organiza\u00e7\u00f5es terroristas ligadas \u00e0 Pide\/DGS e entraram no MPLA. \u00c9 muito agente da PIDE.<br>Tenham coragem! Mesmo os pretos que eram Comandantes naquela altura, tenham a coragem de vir dar a cara e n\u00e3o deixarem crucificar o Presidente Agostinho Neto.<br>Ele n\u00e3o deixa de ter responsabilidades porque era o chefe. Infelizmente os chefes s\u00e3o sempre castigados.<\/p>\n\n\n\n<p>Chamem esses cobardes! Que venham! Os racistas? Os tribalistas? Os indiv\u00edduos que vieram de outras nacionalidades? Os cabo-verdianos? Os S\u00e3o Tomenses tamb\u00e9m estiveram embrulhados nisso. V\u00eam vir dar a cara!<\/p>\n\n\n\n<p>O QUE \u00c9 QUE SABE DO CAMPO DA KALUNDA NO MOXICO?<br>A maior parte dos que l\u00e1 foram s\u00e3o do kwanza sul e s\u00e3o quimbundos. Em Catete t\u00eam tantos. A maior parte s\u00e3o quimbundos. Quem \u00e9 que estava a barrar na guerrilha a apet\u00eancia dos mesti\u00e7os que queriam tomar conta da situa\u00e7\u00e3o? Os quimbundos? Os Quimbundos do MPLA. Os quimbundos! N\u00f3s nos constitu\u00edmos na for\u00e7a principal do MPLA. Meu tio Kimakienda, Hogi Ya Henda. Todos eles eram quimbundos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que o Chipenda numa determinada altura come\u00e7ou a desenvolver as suas ac\u00e7\u00f5es tribalistas com os problemas com os ovimbundos.<\/p>\n\n\n\n<p>E eu pergunto? A Deolinda morreu como? Quem \u00e9 que lhe matou? Mesti\u00e7o! Toda a gente sabe. Quem \u00e9 que matou o Matias Migu\u00e9is? Porque que n\u00e3o mataram o Viriato da Cruz? Porque que o Dilolwa se suicidou?<\/p>\n\n\n\n<p>Porqu\u00ea que tanta gente n\u00e3o quer pactuar com esse \u00edndice de mal\u00edcia? Angola n\u00e3o vai para lado nenhum. O problema \u00e9 racial. \u00c9 real o problema. Os pretos n\u00e3o v\u00e3o conseguir sair dessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela ocasi\u00e3o da Independ\u00eancia, 98% dos pretos eram analfabetos e levam muito tempo para reagir. \u00c9 preciso tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>E h\u00e1 mais uma marosca ainda ligada ao 27 de Maio: \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o dos pioneiros. Deram um golpe palaciano e est\u00e1 a surtir efeitos. Apos a primeira confer\u00eancia da juventude da qual tamb\u00e9m fiz aparte, o individuo que foi indicado por Agostinho Neto que era para dirigir a OPA, chama-se Augusto Renato Tito. Um mais velho que foi meu mestre quando eu estudava no Lubango. Apos a morte de Agostinho Neto. O MPLA teve muitas dificuldades em dirigir a JMPLA. H\u00e1 uma s\u00e9rie de quadros da JMPLA que foram linchados porque estudavam e j\u00e1 tinham uma vis\u00e3o muito boa, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram mortos. Foram assassinados muitos membros da JMPLA. Apos a 1\u00aa confer\u00eancia, Agostinho Neto pede que Augusto Renato Tito fosse o primeiro secret\u00e1rio da OPA, uma pessoa mais velha, de uma perspetiva de longo e m\u00e9dio prazo, que era para encaminhar os destinos dos pioneiros na cria\u00e7\u00e3o de uma nova juventude para se fazer a nova na\u00e7\u00e3o. Porque a maior parte dos indiv\u00edduos que l\u00e1 estavam eram partisans. Outros que fugiram da sentinela e porem l\u00e1 postos duma forma abrupta, a maior parte n\u00e3o tinha nada forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nem ideol\u00f3gica, pois o inimigo deles eram os brancos, eram os mulatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ideologia? A maioria n\u00e3o tinha e quando chega a morte de Agostinho Neto, o velho Lara mudou o 1\u00ba secret\u00e1rio Augusto Renato Tito, alegando que o Tito era muito velho para tratar da juventude. E meteu l\u00e1 um outro individuo. Um lacaio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 que est\u00e1 a juventude hoje aqui em Angola? Um terreno f\u00e9rtil para a contra revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa juventude n\u00e3o mora aqui em Angola? Esses indiv\u00edduos n\u00e3o est\u00e3o alinhados com Angola? \u00c9 essa gente que est\u00e1 a fugir, e est\u00e1 a ir para Portugal. Falta-lhes patriotismo. H\u00e1 golpes que se d\u00e3o para m\u00e9dio e longo prazo. Por isso as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas aqui em Angola n\u00e3o importa a natureza dessas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ter\u00e3o de trabalhar muito seriamente na mudan\u00e7a da mentalidade da juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>Que esses mi\u00fados todos, pioneiros de Agostinho Neto na constru\u00e7\u00e3o do socialismo, tudo pelo povo. Esses n\u00e3o v\u00e3o! V\u00e3o embora todos aqueles que n\u00e3o est\u00e3o ligados com a p\u00e1tria. E \u00e9 um acto premeditado. S\u00f3 os inteligentes sabem como eu, porque eu sou branco. Sabe porque que eu sou um branco? Porque eu tenho conhecimento!<\/p>\n\n\n\n<p>MAS O PRETO N\u00c3O TEM CONHECIMENTO?<br>N\u00e3o! O senhor n\u00e3o \u00e9 preto! Eu vou lhe contar que o senhor n\u00e3o \u00e9 preto. Preto \u00e9 isso aqui. Encostas aqui a sua m\u00e3o. V\u00ea? O senhor \u00e9 preto? O senhor \u00e9 pardo. Preto \u00e9 um conceito para o burro. N\u00e3o importa a origem do individuo. \u00c9 burro. N\u00e3o tem conhecimento, \u00e9 preto. Branco \u00e9 um conceito para todos os indiv\u00edduos que independentemente da cor, t\u00eam conhecimento. Est\u00e1 aqui o preto. O senhor n\u00e3o \u00e9 preto.<\/p>\n\n\n\n<p>No conflito de culturas como os brancos n\u00e3o conseguiram buscar respostas imediatas, chega uma dada altura sem satura\u00e7\u00e3o, dizem \u00b4\u00b4esses gajos s\u00e3o mesmo pretos\u00b4\u00b4. Porque voc\u00ea quando \u00e9 clarividente as pessoas dizem: ele tem massa cinzenta.<\/p>\n\n\n\n<p>VAMOS CONTINUAR A FALAR SOBRE KALUNDA?<br>Quase todos regressara e chegaram aqui. Mesmo ao lado de minha casa moram ai e tem ali tantos. Morreram l\u00e1 muitos. Mas aqueles cujas fam\u00edlias tiveram a visibilidade de la irem buscar, foram buscados pelos seus familiares. Est\u00e3o a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>QUEM OS MANDOU L\u00c1?<br>Olha quando eu conversava com o Comandante Onambw\u00e9, o Henrique de Carvalho Santos \u00e9 meu amigo. Eu era tamb\u00e9m muito amigo do Comandante Ludy e o Onambw\u00e9 uma vez para a viatura e veio ter comigo e diz-me: Oh Pakas! Esses gajos dizem que eu sou assassino. Esses gajos deviam ir perguntar ao Dino Matross, que \u00e9 para o Dino Matross vir dizer quem foi que mandou os mi\u00fados para irem ao Moxico. Indirectamente me estava a dizer que um dos respons\u00e1veis no encaminhamento dos mi\u00fados no Moxico foi o Dino Matross.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses mais velhos todos est\u00e3o escondidos. Toka! Todos! Saem da toca, cobardes! Andam s\u00f3 a ganhar \u00e0 toa e a infernar o pa\u00eds. O nosso pa\u00eds corre o risco de desaparecer como pa\u00eds, porque os mamad\u00fas v\u00e3o tomar conta do pa\u00eds. E esses cobardes andam ai com fortunas, mais fortunas. tempo n\u00e3o \u00e9 mais como aquele que quando vieram aqui amea\u00e7ar que tomavam \u00b4\u00b4medidas activas\u00b4\u00b4?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s n\u00e3o temos muito tempo que \u00e9 para lhes ouvir. E hoje j\u00e1 temos muitos filhos que \u00e9 para lhes retribuir na \u00b4\u00b4tomada de medidas\u00b4\u00b4.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o! \u00c9 preciso parar com isso de \u00b4\u00b4medidas activas\u00b4\u00b4. N\u00f3s temos \u00e9 de tomar \u00b4\u00b4medidas activas\u00b4\u00b4 na escola. Ter a capacidade de meter os nossos filhos na escola e virem com muita clarivid\u00eancia, que \u00e9 para a gente reconstruir o pa\u00eds. Porque esses anos todos que os senhores andaram a governar, tudo porque est\u00e3o com manias! Macacos do Maiombe porque t\u00eam de ir viver em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 aqui onde a gente tem de viver? Est\u00e3o a ir a Portugal fazer o qu\u00ea? T\u00eam de viver aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Chamem l\u00e1 toda essa gente. Esses cobardes. T\u00eam informa\u00e7\u00e3o os que l\u00e1 andaram no Minist\u00e9rio da Defesa, os que estavam de bra\u00e7al. Cobardes! Venham depor. Vamos constituir a comiss\u00e3o da verdade. A verdade liberta.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 contada pelos sobreviventes. A verdade deve ser contada pelos sobreviventes. A verdade deve ser contada pelos algozes. Ent\u00e3o estamos s\u00f3 a ouvir a vers\u00e3o do grupo do Jo\u00e3o Louren\u00e7o? Quem \u00e9 o Jo\u00e3o Louren\u00e7o?<\/p>\n\n\n\n<p>E fica um apelo aqui! Eu quando falo, falo! Eu quando falo, falo para o Jo\u00e3o Louren\u00e7o porque eu sou um General. Eu sou um soberano. N\u00e3o andei a apanhar boleia e nem fui na sede do partido para ir comprar nada. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m nesse MPLA a\u00ed, que tem idade que \u00e9 para ser o meu pai. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m! O meu pai far\u00e1 100 anos este ano.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tem l\u00e1 ningu\u00e9m. O meu professor foi o meu pai. O meu l\u00edder espiritual foi o Agostinho Neto. Aquilo que a gente costuma dizer, quem luta contra n\u00f3s n\u00e3o passar\u00e1 por Catete. N\u00f3s n\u00e3o temos culpa. No tempo do colono n\u00f3s d\u00eamos as caras. N\u00f3s n\u00e3o ficamos a espera das turmas aleg\u00f3ricas dos mulatos, dos cabo-verdianos e nem t\u00e3o pouco dos S\u00e3o Tomenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Um pa\u00eds que em todos os Sectores da vida nacional com Cabo-Verdianos, S\u00e3o Tomenses? Os indiv\u00edduos que a gente os via descal\u00e7os, as m\u00e3es com umas saias bem rodadas bem grandes e piores que as ciganas! Andamos na mesma escola. Alguns! Porque nem todos foram!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o nos d\u00e3o valor porqu\u00ea? Se n\u00f3s somos os donos da terra? E \u00e9 assim que depois dizem que o Jo\u00e3o Louren\u00e7o n\u00e3o \u00e9 Angolano: \u00e9 baluba por esse seu mau comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 a sair de Angola, para ir dar uma grande farra? N\u00e3o \u00e9 baile. \u00c9 farra! Quando o povo est\u00e1 a comer nos contentores, est\u00e1 a sair de Angola, est\u00e1 a levar tr\u00eas avi\u00f5es, est\u00e1 a levar carros de Angola para ir desfilar?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tem de vir estudar a hist\u00f3ria de Angola, que \u00e9 o que a gente faz. N\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria da R\u00fassia! J\u00e1 estudamos a hist\u00f3ria de Dom Afonso Henriques, do Ant\u00f3nio Racar e outros mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Acabou! Tem de interagir connosco: Balubas, Bacongos, Nhanecas. N\u00f3s n\u00e3o somos nada o mesmo povo. N\u00f3s somos muitos povos dentro de um territ\u00f3rio. E \u00e9 preciso interagir connosco que \u00e9 para gente dizer quem somos do ponto de vista cultural e o que a gente quer. E que fique claro.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui j\u00e1 n\u00e3o tem pretos que s\u00e3o moldados, que s\u00e3o moldados por outros pretos, que \u00e9 para a gente ver. N\u00e3o! Eu sou um aristocrata. Nos balubas eu sou um aristocrata. E aqui tamb\u00e9m nos quimbundos eu tamb\u00e9m sou um aristocrata. N\u00f3s somos netos de cafuxus. N\u00e3o estamos a vir nem de Cabo-verde ou de S\u00e3o Tom\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Parem com isso! Porque amanh\u00e3 n\u00e3o poder\u00e1 haver outra alternativa. A semelhan\u00e7a do que aconteceu no tempo do colono branco, n\u00f3s vamos ter que lutar contra o colonialismo actualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>E depois dizem que a UNITA&#8230; UNITA. Qual UNITA?<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dias fiz uma fotografia com Adalberto e est\u00e3o a me vir dizer que eu n\u00e3o devia fazer mais!<\/p>\n\n\n\n<p>Que \u00e9 aquilo? Aqui em Angola quem \u00e9 que tem autoridade moral para me vir dizer para que eu n\u00e3o fa\u00e7a fotografias com este ou com aquele? O irm\u00e3o do Adalberto andou connosco nas For\u00e7as Armadas. O irm\u00e3o do Adalberto \u00e9 o Lanucha. O General Lanucha. Ent\u00e3o a\u00ed voc\u00eas que est\u00e3o a vir, emergiram agora vindos das fazendas! Voc\u00eas que j\u00e1 nos encontraram, j\u00e1 nos viram nas cidades \u00e9 que v\u00eam nos dizer com quem \u00e9 que devemos andar?<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00eas que s\u00f3 ficavam nos riachos a ca\u00e7ar peixes, a tirar visgo, \u00e9 aqui na cidade onde os senhores v\u00eam aqui nos dar aulas? Isso est\u00e1 mal!<\/p>\n\n\n\n<p>QUER FALAR MAIS ALGUMA COISA?<br>Sim! Quem matou a isaura do Lubango? N\u00f3s n\u00e3o somos matumbos.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e9todos nazistas! Uma rapariga muito bonita do Lubango. Uma muito bonita. Chamada Isaura. Era directora da Taag do Lubango. Animais muitos sujos quiseram se aproveitar da rapariga e ela n\u00e3o dava possibilidades. Quando chegou o 27 de Maio mataram a isaura. Tanto \u00f3dio, porqu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>E me desculpem meus caros camaradas evocar os vossos nomes.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu se tivesse na vossa condi\u00e7\u00e3o. eu Quitumba que perdi o meu irm\u00e3o Galiano, que perdi o meu irm\u00e3o Jo\u00e3o Manuel da Silva, a Nanda, que perdi o Lu\u00eds, em condi\u00e7\u00e3o nenhuma eu iria aceitar nenhum cargo. Porque o vosso pai instrui-vos muito bem. Mesmo sem o MPLA cada um de voc\u00eas tinha condi\u00e7\u00e3o que era para poder andar. Porque na era colonial j\u00e1 tinham rompido a \u00b4\u00b4barreira do som\u00b4\u00b4. J\u00e1 eram gente. J\u00e1 eram pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea Botelho de Vasconcelos, Ninano, cujos irm\u00e3os morreram, o Aires Botelho, o Ngola Mbandi, eu n\u00e3o aceitaria nunca nenhum cargo. Iria lutar pela reposi\u00e7\u00e3o da legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu quero que os senhores todos encaminham uma peti\u00e7\u00e3o junto do Tribunal Internacional que \u00e9 para os acusados, os algozes, que \u00e9 para cada um ir apresentar a sua justifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o usarem os m\u00e9todos que est\u00e3o a usar de vir nos sujar nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque \u00e9 um tiro que voc\u00eas est\u00e3o a dar mesmo nos vossos p\u00e9s. Porque n\u00e3o v\u00e3o conseguir justificar em Tribunal. Voc\u00eas n\u00e3o conseguir\u00e3o justificar nada, porque provavelmente os algozes, os verdugos est\u00e3o vivos. Esses v\u00e3o responder e l\u00e1 v\u00e3o dizer que o General Pakas n\u00e3o estava l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>TERMINA AQUI A NOSSA LONGA ENTREVISTA COM O GENERAL PAKAS.<\/p>\n\n\n\n<p>MUITO OBRIGADO.<br>Bem haja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje vamos falar com o Man Pakas, que \u00e9 o nome mais vulgar que a gente conhece para os amigos. Para outros \u00e9 o General Pakas. NGUXI DOS SANTOS Quem \u00e9 o Manuel Mendes de Carvalho, Pakas?Manuel Mendes de Carvalho, Pakas sou eu.Eu chamo-me Manuel Mendes de Carvalho Pacavira, vulgarmente conhecido por Pakas ou General [&hellip;]<\/p>\n<div class='heateor_sss_sharing_container heateor_sss_vertical_sharing heateor_sss_bottom_sharing' style='width:44px;left: -10px;top: 100px;-webkit-box-shadow:none;box-shadow:none;' data-heateor-sss-href='https:\/\/jornalfax.net\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2659'><div class=\"heateor_sss_sharing_ul\"><a aria-label=\"Facebook\" class=\"heateor_sss_facebook\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fjornalfax.net%2Findex.php%2Fwp-json%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F2659\" title=\"Facebook\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\" style=\"font-size:32px!important;box-shadow:none;display:inline-block;vertical-align:middle\"><span class=\"heateor_sss_svg\" 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