A notícia de que a província do Zaire, está em segundo lugar, a nível do país, na arrecadação das receitas com 17, 42 bilhões de Kwanzas no âmbito do Produto Interno Bruto(PIB), foi recebido “com muita tristeza”, pelos habitantes locais.

REDACÇÃO JORNAL FAX

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto (PIB) de Angola cresceu 5,70% no quarto trimestre de 2025 (face ao homólogo), com um acumulado de 64,47 biliões de Kwanzas, impulsionado pelo setor não petrolífero. Luanda, Zaire e Benguela são as províncias com maior produção, sendo Luanda a líder com 32,29 biliões de Kz.

A província do Zaire, é considerada um bastião da economia angolana. A maior parte das receitas petrolíferas vêm desta província, que tem também o maior mercado fronteiriço do país.

Mas os cidadãos no Zaire dizem que pouco ou nada se faz, em contrapartida, para o desenvolvimento da província. 

“É uma provocação ouvirmos este crescimento que nada reflecte na vida dos habitantes locais”, queixas alguns populares ouvidos por via telefónica pela nossa reportagem questionando a contribuição com 17, 42 bilhões de Kwanzas do PIB, que não beneficia à população.

“Apesar desta enorme contribuição para o PIB, a província enfrenta problemas sobre a falta de dividendos diretos da exploração dos seus recursos naturais”, observa o comerciante Pedro Maila Mbongo. 

“É desta província que flui grande parte do petróleo que mantém a chama da economia angolana acesa.  Segundo dados do Ministério das Finanças, 80% das receitas de Angola provêm do sector petrolífero e dessa “fatia, 80% provêm do Zaire. Que beneficio para à população?”, questionou.

A província do Zaire, em Angola, é um claro exemplo do paradoxo dos recursos, sendo rica em petróleo, mas enfrentando pobreza significativa e falta de infraestruturas básicas.

“A província regista escassez de serviços, fome e desemprego, evidenciando uma desconexão entre a produção petrolífera e o desenvolvimento local”, lamenta o economista Pedro Baião. 

 “A degradação das estradas encarece produtos básicos, gerando fome e dificultando o escoamento de produtos”, acrescenta Pedro Baião, frisando que essa realidade reflete uma desigualdade social persistente em Angola, onde a riqueza natural muitas vezes não se traduz em bem-estar para as comunidades locais. 

O sociólogo Domingos Nvondo, fez um alerta contundente sobre a degradação social e económica enfrentada pela população do Zaire em 2025.

Segundo ele, o ano foi marcado por um agravamento da pobreza, acompanhado de uma crescente sensação de desesperança quanto ao futuro.

“A situação económica da nossa província degradou profundamente”, afirmou, destacando a falta de ações efetivas para mitigar a crise.

Ressaltou que o aumento das dificuldades económicas resultou em uma sociedade cada vez mais vulnerável, com a qualidade de vida deteriorando-se progressivamente.

Ele criticou a ausência de projetos e iniciativas de impacto significativo que poderiam beneficiar as comunidades mais afetadas, mencionando também que o sentimento de abandono tem crescido entre os habitantes.

“Sem oportunidades, as pessoas perdem a fé no amanhã. A nossa gente precisa de esperança, e isso só virá com trabalho sério e direcionado para combater a pobreza e criar oportunidades”, concluiu.