O Presidente da República respondeu ao alerta lançado a partir desta tribuna sobre a delicada situação de saúde do jornalista Octávio Capapa. João Lourenço orientou, na passada quinta-feira, a ministra da Saúde, Silvia Lutucuta, para garantir o transporte do jornalista em ambulância.
Octávio Capapa foi retirado de casa para receber assistência médica e medicamentosa no Hospital Maria Tonha Pedale, no Morro Bento, em Luanda, onde permanece internado desde a última sexta-feira.
Nas últimas 24 horas, o estado clínico do jornalista agravou-se. Capapa sofreu duas paragens cardiorrespiratórias e encontra-se desde ontem ligado a suporte mecânico. A família vive momentos de angústia no bairro Prenda, em Luanda. As informações médicas disponíveis indicam prognóstico extremamente reservado.
Se Octávio Capapa “virar saudade” nas próximas horas, o País deve desencorajar qualquer tentativa de aproveitamento político da dor da família. O percurso de Capapa como militar, militante e jornalista vai ficar inscrito na histórica da política angolana. O gesto do Presidente da República foi tardio. Mas constitui uma manifestação de solidariedade humana que merece registo. A minha reverência.
A reflexão política que o caso suscita prende-se com a transparência no eventual destino dos apoios que Octávio Capapa terá recebido da Presidência da República.
O eventual desvio ou utilização indevida de recursos destinados a um doente em fase terminal constitui matéria de natureza criminal. Deve ser objecto de investigação competente, se existirem indícios suficientes. O respeito pela dignidade humana e pela memória das pessoas deve prevalecer sobre interesses políticos circunstanciais.
