As autoridades judiciais angolanas estão sob pressão para abrir um processo contra o general Francisco Higino Lopes Carneiro, por alegado desvio de brinquedos durante o período em que exerceu funções como governador da província do Cuando Cubango.

Segundo apurou o Club-K, enquanto governador da província, Higino Carneiro terá encomendado a um fornecedor libanês, brinquedos no valor de 300 mil dólares para as celebrações de Natal. No entanto, parte desses brinquedos teriam sido distribuídos a crianças na sua terra natal, Libolo, na província do Cuanza-Sul, e não no Cuando Cubango. As autoridades angolanas consideram a alegada distribuição um ato de peculato e pretendem que o caso seja resolvido pela justiça, uma vez que as crianças do Cuando Cubango ficaram prejudicadas e privadas de brinquedos no natal. 

A situação é agravada pelo facto de o Governo Provincial do Cuando Cubango não ter pago ao fornecedor libanês, deixando uma dívida pendente. Fontes próximas a comunidade libanesa em Angola revelam que as autoridades angolanas têm tentado persuadir o empresário libanês a processar o General Higino Carneiro, mas este tem-se mostrado relutante. O empresário defende que a sua relação comercial foi com o governo provincial e não com o General a título pessoal, e que o seu único interesse é receber o pagamento em dívida.

Alegadamente, as autoridades estariam interessadas em arrastar o caso para os tribunais antes da realização do congresso ordinário do MPLA, onde se espera a disputa pela liderança.

Os estatutos do MPLA exigem que os candidatos a cargos de direção estejam “no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos”. Embora uma pessoa com um processo criminal em curso (sem condenação definitiva) não seja tecnicamente impedida de concorrer, o Bureau Político, liderado pelo atual Presidente, João Lourenço, tem o poder de validar ou rejeitar candidaturas. Especialistas próximos do poder sugerem que o partido poderá usar o processo contra Higino Carneiro para o afastar da corrida, com o argumento de proteger a imagem do MPLA.

A ação contra Higino Carneiro pode ser vista como parte de uma estratégia mais ampla de João Lourenço para consolidar o seu poder e evitar a concorrência na liderança do partido. O Presidente já se manifestou contra a realização de um congresso com múltiplas candidaturas e, numa entrevista a uma televisão estrangeira, terá afirmado que pretende ser ele a escolher o próximo Presidente da República. Para isso, Lourenço precisaria de concorrer sozinho à presidência do MPLA para, em seguida, poder indicar o cabeça de lista do partido para as eleições de 2027.

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