O tapete asfáltico na avenida Fidel de Castro, concretamente, em frente à Refriango, está a ser danificado à alta velocidade. Concorrem para esse triste cenário as águas que escapam da girafa instalada em frente à via, e aos inúmeros camiões cisternas que passam por ali
Asfalto permanentemente molhado e a passagem ininterrupta de camiões carregados de água, que também deixam escapar muito liquido para o chão é igual à destruição de um bem que custou o dinheiro de todos nós. Esta é, em resumo, a conclusão de muitos transeuntes ouvidos pela nossa reportagem e que classificam a construção daquela girafa bem em frente a via principal como sendo um desafio às autoridades que velam ou que deveriam velar pela organização pública.
A questão que muitos cidadãos querem ouvir respondida é quem, afinal de conta, é o dono da referida girafa, assim como quem terá autorizado a construção de tal infraestrutura bem em frente a via principal. No local, os danos da nova estrada, que passa bem em frente ao Risort Bantu, são visíveis. Construída há pouco menos de um ano, a via foi danificada e está a beneficiar de obras de reparação há mais de dois meses.
Jaime Garcia, ao volante de um camião cisterna, à espera da sua vez na longa fila, reconhece que as águas estagnadas que veem da girafa são autênticas inimigas do asfalto, mas não tem como, pois, diz ser novo nesta actividade e os antigos nesta prática indicaram, de entre os vários locais para compra de água bruta, a girafa do resort.
Garcia reconhece que a girafa está mal localizada, apesar de ser bem próxima da via principal e facilita a actividade de quem busca água. “Nós vamos no local que melhor nos convém, isto em função das solicitações e da brevidade em bastecer”, referiu o condutor, para quem deve ser da responsabilidade dos donos das girafas em organizar o local. Outro interlocutor, Bernardo Fuchi, há mais de dez anos no negócio de compra e venda de água, diz que as coisas são complicadas por ser um dos beneficiários, mas na verdade triste é todos verem o asfalto a ser destruído e ninguém diz e faz nada.
Para Fuchi, a questão não é o elevado número de camiões que de forma imparável circulam naquela zona, mas sim as águas sobre o asfalto, uma situação que na sua opinião deveria ser salvaguardada pelos proprietários, não só da girafa do risort, mas de todas nas duas vias do canal.
Outra interlocutora, que falou para a nossa reportagem é dona Suzana, que aproveita o movimento de camionistas para vender a sua ginguba e bombo. Diz que viu aquela estrada a ser construída. Era uma boa escapatória para quem pretende chegar ao desvio do Zango, assim como os que entram no bairro, mas de repente, num abrir e fechar de olhos, ficou destruída.
Mesmo sem ser engenheira, dona Suzana reconhece que as águas permanentes no tapete e os vários camiões pesados encarregaram-se de estragar o asfalto que era “bem bonito”.
“Está novamente a ser reparada, esperamos que depois não a estraguem mais”, aconselhou a anciã atenta ao próximo cliente.
AVISOS NÃO FALTAM
Aliada à destruição da via paralela, a avenida Fidel de Castro está igualmente a conhecer a mesma destruição, notável nos primeiros 100 metros da entrada do canal. Em tempo de cacimbo, mas o tapete asfáltico está cheio de água proveniente da referida girafa e não será surpresa nenhuma se amanhã, um amanhã breve, vermos parte da via esburacada e a necessitar de intervenção.
Na sua edição número 141, o Pungo a Ndongo já se referia a essa via num texto sob o título ‘Ineficiência da EPAL acelera negócio da água’, em que, para além da triste realidade que alegra em primeiro lugar os donos das girafas, maioritariamente cidadãos chineses, que retiram a água a custo zero, alertou igualmente para a danificação do asfalto nas zonas circundantes das girafas.
Passados quase dois meses desde a chamada de atenção sobre o facto, nada foi feito, pois em vários pontos da cidade de Luanda as girafas, assim como os camiões cisternas continuam a sua marcha imparável rumo à extração de água a custo zero e à danificação do bem público: o asfalto que custou dinheiro de todos nós.
Fonte. pungu andongo