O jurista Manuel Cangundo afirmou, em declarações à TV Hora H, em Luanda, que o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, é tão corrupto quanto todos aqueles que, por conveniência à corrupção, os chamou de marimbondos.
Para justificar a contundente afirmação, Manuel Cangundo buscou os episódios eleitorais, tanto de 2017, onde João Lourenço concorria pela primeira vez, e a de 2022, em que conseguiu a reeleição, embora duramente contestada por fraude eleitoral, nestas ocasiões, o Presidente terá oferecido materiais de cultivo, bem com charruas, motorizadas e outros para a população, o que, para o jurista, constitui-se em corrupção eleitoral. “Portanto, quem pratica isto não tem outro nome senão corrupto”, disse.
Para sustentar ainda mais a tese de quão o Presidente de Angola é corrupto, Cangundo lembrou as afirmações comprometedoras de João Lourenço quando disse que só ele sozinho tem a fazenda que põe comida na mesa dos angolanos, questionando, por isso, de onde terá saído o investimento para a materialização da tal fazenda, já que um negócio do género implica financiamento de dólares avultados e não de míseros Kwanzas, revelando o péssimo hábito que os líderes angolanos têm de não prestarem contas ao povo.
“Na voz do próprio Presidente, nós ficamos a saber que ele tem uma fazenda grande que coloca comida à mesa dos angolanos, a pergunta que não se quer calar é: como é que o João Lourenço construiu essa fazenda? Porque o que nós sabemos é que não é com míseros kwanzas ou dólares que se constrói uma fazenda, importa um financiamento avultado. Então, o Presidente tem de vir nos mostrar qual é o crédito que fez, em que instituição, para ele ter uma fazenda que coloca comida à mesa dos angolanos. Porque do contrário, ele é igual a todos outros marimbondos, que, hoje, infelizmente, por não alinharem com ele nas mesmas políticas está a perseguí-los”, sublinhou.
Por outra lado, abordou sobre outro péssimo costume de João Lourenço em se envolver no Poder Judicial com tamanha frequência, decidindo quem fica e quem não fica, independentemente do currículo sujo. O segredo de permanência é cair na graça do Presidente, como é o caso do Juiz Conselheiro Presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo, o protegido do Titular do Poder Executivo.
“É público que o Presidente interfere na justiça. No Congresso de 2021 do MPLA, nessa altura estava cá o ex-Presidente José Eduardo dos Santos “Zé Du”, estava a ser assediado para participar do Congresso, mas como estava decepcionado com a liderança do partido não aceitou, e, nesta altura, estava a ser estudado um recurso interposto pela defesa do Zenu (filho do Zé Du). O Tribunal Supremo (TS) solicitou orientações do Palácio, de como deveria responder o recurso. O Palácio orientou que se mantivesse em ‘standby’ a resposta, quer fosse negativa ou não, porque iria depender da participação do pai dele no Congresso. O pai não participou e o recurso foi chumbado. Isto é uma interferência muito clara”, contou o jurista.
“Sabemos também que já foram escorraçados dois juízes Presidentes do TS, a citar Rui Ferreira, que se criou um conjunto de acusações, mas que até agora não vimos nenhum processo contra ele, significando que tudo não passou de uma mentira para lhe despedirem, e o Manuel Aragão, que foi acusado de ter escrito uma carta a pedir demissão, mas ele veio a público negando tais declarações. No final, ficou provado que foi por ingerência do Presidente da República no Tribunal que acabou com a expulsão do Manuel Aragão. Mas, agora, vemos o que está a acontecer no Tribunal: temos o Juiz Presidente (Joel Leonardo) que é acusado de vários crimes de corrupção, há inclusive relatórios da PGR a atestar essas acusações, mas não há processo contra ele. Por quê? Porque o chefe não mandou”, argumentou Manuel Cangundo.