A Associação dos Professores Angolanos (APA) defendeu, o reforço do investimento no sector da Educação, a valorização dos docentes e o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Executivo com a classe, durante a cerimónia de abertura do ano lectivo 2026/2027, realizada nesta segunda-feira, 31 de Agosto, na província do Huambo.

Na mensagem apresentada no acto pelo presidente da APA, Inácio Gonga, a organização considerou que os 50 anos de alfabetização e educação em Angola constituem uma oportunidade para reconhecer os avanços alcançados no sector, mas também para reflectir sobre os desafios que continuam a afectar o sistema de ensino.

Sob o lema “50 anos a alfabetizar, a educar e a transformar Angola”, a APA destacou, entre os progressos registados desde a Independência Nacional, a formação de professores e quadros nacionais, a construção de escolas em diferentes regiões do País e os investimentos na reabilitação e apetrechamento de infra-estruturas escolares.

Apesar destes avanços, os professores alertam para a persistência de assimetrias no acesso e na qualidade do ensino, que, segundo a organização, são agravadas pelo crescimento demográfico, pelas transformações sociais e pelo êxodo populacional das zonas rurais para os centros urbanos.

Perante este cenário, a Associação dos Professores Angolanos apelou ao Executivo, às autoridades do sector da Educação, organizações sindicais, famílias, igrejas, sociedade civil e demais parceiros sociais para uma maior concertação na procura de soluções para os problemas do sistema de ensino.

Entre as prioridades apresentadas pela organização está o aumento do investimento público na Educação, com vista à melhoria das infra-estruturas, aquisição de equipamentos, formação de professores e criação de melhores condições de trabalho.

A APA defendeu igualmente o reforço da formação e capacitação dos docentes, com particular atenção para áreas consideradas essenciais, como Matemática, Física, Química, Biologia, Informática e Línguas Nacionais.

Outro ponto destacado foi o cumprimento dos compromissos assumidos entre o Executivo e as organizações sindicais, sobretudo os relacionados com as condições sociais e profissionais dos professores.

A associação manifestou, neste âmbito, preocupação com a situação de mais de 50 mil professores admitidos no concurso interno recentemente realizado, defendendo a concretização da conversão das respectivas admissões em salários, uma expectativa que, segundo a APA, permanece entre as principais reivindicações da classe.

A organização também apelou ao funcionamento regular e eficiente do programa de alimentação escolar, considerando que a garantia de refeições aos alunos pode contribuir para a permanência das crianças nas escolas e para a melhoria do aproveitamento escolar.

Na mensagem, os professores foram ainda chamados a preservar a ética e a dignidade da profissão, bem como a defender os seus direitos e interesses de forma responsável.

Para a APA, o professor deve ser encarado não apenas como um profissional, mas como um agente fundamental na formação de cidadãos e na construção do futuro do País, reafirmando a expressão historicamente associada à classe: “o professor é um combatente da linha da frente”.