As autoridades da província do Moxico Leste, acabam de “ quebrar a espinha dorsal”  de contrabando de combustíveis entre Angola e República Democrática do Congo (RDC), ao encerrar 70 por cento das bombas no município  fronteiriço do Luau.

REDACÇÃO JORNAL FAX

No total foram encerradas 40 bombas de combustível numa ampla operação destinada a travar à venda ilegal e a reafirmar o controlo do Estado sobre um sector lucrativo e pouco regulado.

Apesar do número relativamente reduzido de veículos, o município contava, até recentemente, com 35 postos de abastecimento e 67 bombas — números considerados desproporcionais.

O contrabando de combustível no município do Luau, província do Moxico Leste, é um crime recorrente devido à sua localização estratégica na fronteira com a República Democrática do Congo (RDC).

Em 31 de Março de 2026, a polícia frustrou a saída de 1.880 litros de gasolina (94 bidões) destinados à RDC durante uma patrulha de rotina.

Como medida punitiva e preventiva, as autoridades já procederam ao encerramento e selagem de postos de combustível no Luau que facilitavam a venda irregular para fins de contrabando.

O combustível é frequentemente transportado em bidões de 20 litros, escondidos em residências nos bairros fronteiriços (como Canende e Retornado) ou camuflados em viaturas ligeiras e pesadas.

A mercadoria é levada para a RDC devido à grande disparidade de preços entre os dois países.

“Esta situação exige medidas firmes”, afirmou o governador provincial, Crispiniano dos Santos, durante um encontro com comerciantes do sector, destacando os riscos associados a atividades ilegais numa região fronteiriça sensível.

Segundo as autoridades, o crescimento descontrolado de pontos de venda informais tem alimentado redes de contrabando e levado a práticas inseguras de armazenamento, aumentando o risco de incêndios, danos ambientais e outros perigos para a segurança pública.

Os encerramentos fazem parte de uma campanha mais ampla para reorganizar o comércio de combustível e alinhá-lo com as normas nacionais. As autoridades garantem que as inspeções vão continuar, com uma aplicação mais rigorosa da lei para assegurar que apenas operadores licenciados permaneçam em atividade.

Ao mesmo tempo, o governo procura tranquilizar investidores, afirmando que pretende criar condições para uma participação mais formal e responsável no sector.

A medida insere-se num esforço mais abrangente das autoridades angolanas para formalizar segmentos da economia que, durante muito tempo, operaram fora do controlo estatal, sobretudo em regiões remotas e fronteiriças onde a fiscalização tem sido historicamente limitada.