A província de Cabinda, embora seja rica em recursos petrolíferos, enfrenta desafios significativos que afetam a qualidade de vida da sua população.
A população tem enfrentado graves dificuldades no acesso a bens básicos, incluindo a falta de combustível e gás butano, situação agravada por questões logísticas e de distribuição.
Apesar de ser a região que gera uma grande parte da riqueza petrolífera do país, há um sentimento de disparidade entre a riqueza produzida e o desenvolvimento social local.
Cabinda é frequentemente apontada como tendo um dos maiores custos de vida em Angola, o que afeta diretamente o poder de compra da população.
“A perceção de que “o povo vive mal” em Cabinda é forte, baseada na disparidade entre a riqueza petrolífera da região e a realidade socioeconómica da maioria da sua população”, disse ao Jorna Hora H, o ancião Ntemo Sebastião, do município do Buco Zau.
“Qual é o futuro para as populações de Cabinda com as políticas traçadas ao longo dos anos pelo Executivo angolano?”, questionam os habitantes interpelados pela nossa reportagem, argumentando que a realidade de Cabinda é humanamente incompreensível, uma terra tão rica e uma população de menos de 1 milhão de habitantes, miserável.
Apesar de alguns projetos de combate à pobreza, o sentimento de descontentamento é notório.
“Os desafios socioeconómicos de Cabinda inserem-se num contexto mais amplo de dificuldades em Angola, onde grande parte da população enfrenta condições difíceis, com insegurança alimentar e problemas estruturais na educação e saúde”, diz o activista dos direitos humanos Domingos Fiety frisando que, existe um descontentamento popular com a falta de transparência na distribuição dos apoios e das verbas provenientes do petróleo.
Segundo este activista a verdade de Cabinda não é apenas sobre política ou petróleo — é sobre dignidade, identidade e justiça.
“Aqui há falta de tudo, desde medicamentos nos hospitais, bens alimentares, investimentos públicos e infra-estruturas que garatam o bem estar das populações em Cabinda”, queixa-se o activista salientando que “muitos bairros mantêm-se às escuras por falta de luz eléctrica, estradas não são asfaltadas e sem esgotos para o escoamento de águas residuais”.
“Outrossim, é a falta de segurança para os cidadãos. Os serviços de emergência policiais não funcionam ou quase inexistentes para socorrer citadinos indefesos em suas próprias casas quando abordados por marginais”, acrescentou.
A população e activistas locais têm-se manifestado contra o aumento do custo de vida, como os preços dos combustíveis e transportes, e a retirada de subsídios aéreos, que consideram medidas que prejudicam o bem-estar da população.
Cabinda é uma das 21 províncias de Angola, localizada na região norte do país. É a província mais setentrional e o único exclave do país. A capital é a cidade e município de Cabinda.
Cabinda é um exclave angolano, limitado a norte pela República do Congo, a leste e a sul pela República Democrática do Congo e a oeste pelo Oceano Atlântico.
A população é maioritariamente de origem banto, destacando-se o grupo dos congos e, dentro deste, o subgrupo dos ibindas. Estes organizam-se em oito tribos ou clãs: bauóio, bacuacongo, balinge, baluango, basundi, baiombe, bavili e bacochi.
