A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) que desempenhou um papel fundamental na luta armada de libertação nacional (1961-1974) contra Portugal, é hoje uma “vergonha absoluta” nas suas estruturas que não resistem as fissuras.

 REDACÇÃO: JORNAL FAX

A FNLA que sofreu uma derrota militar significativa, continua a ter “sérios problemas”, de unidade interna persistindo ao longo das décadas, sucessivas crises internas e divisões.

Recentemente, membros do partido alertaram para o risco de sabotagem interna e tentativas de destruir a coesão da organização, indicando que as disputas internas persistem, muitas vezes intensificando-se próximo a anos eleitorais.

A FNLA transformou-se em partido político, mas a sua história é marcada por divisões e uma presença política reduzida após o conflito armado. 

Quando falta um ano para as eleições, Nimi a Simbi, presidente da FNLA, enfrenta acusações internas de violação dos estatutos do partido e falta de capacidade política para liderar a lista nas Eleições Gerais de 2027.

Militantes e figuras como Ngola Kabangu contestam a sua gestão, alegando desrespeito às normas internas, o que tem gerado divisões e trocas de acusações na liderança.

A crise interna  agravou-se depois da reunião do Comité Central realizada nos dias 13, 14 e 15 do corrente mês, marcada por fortes divergências entre dirigentes quanto à organização do VI Congresso Ordinário do partido.

O membro da direção, José Makendelua, afirmou que o encontro terminou sem consenso, acusando o militante histórico Ngola Kabango de agir contra os interesses da organização.

Segundo o dirigente, o impasse surgiu no momento da constituição da Comissão Preparatória do congresso, quando Kabango terá tentado impor o nome de Ndonda Nzinga para coordenar a comissão, alegadamente à margem dos estatutos.

De acordo com Makendelua, a indicação do coordenador da Comissão Preparatória é competência do presidente do partido, Nimi a Simbi, pelo que a tentativa gerou contestação e acabou por impedir a conclusão dos trabalhos.

O dirigente denunciou ainda momentos de tensão durante a reunião, incluindo alegadas tentativas de agressão contra o vice-presidente da FNLA e deputado, Benjamin da Silva, situação que terá contribuído para o fracasso do encontro.

Na sequência do impasse, o partido conta agora com duas comissões preparatórias para o VI Congresso Ordinário.

Uma é coordenada pelo secretário-geral em exercício, Laurindo Aguiar, ligada à direção liderada por Nimi a Simbi, e outra chefiada por Ndonda Nzinga, associada à ala de Ngola Kabango.

Para José Makendelua, a existência de duas estruturas paralelas demonstra uma ruptura evidente no seio da FNLA e poderá comprometer a unidade interna do partido.

Analistas políticos têm alertado que a FNLA enfrenta dificuldades estruturais, como conflitos internos recorrentes, envelhecimento da liderança e limitações na renovação dos quadros, factores que podem afectar o desempenho eleitoral da formação histórica nas eleições gerais previstas para 2027, num cenário político dominado pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e com forte presença da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).