A empresa espanhola Indra Sistemas voltou a vencer o concurso público promovido pela Comissão Nacional Eleitoral de Angola para o fornecimento da tecnologia a ser utilizada nas eleições gerais de 2027, reacendendo um antigo foco de tensão no processo eleitoral angolano.

REDACÇÃO JORNAL FAX

A Indra foi escolhida para assegurar a gestão tecnológica e o fornecimento de todo o material informático que será utilizado no próximo ciclo eleitoral, deixando para trás três outras empresas concorrentes que também participaram do procedimento.

Os resultados das peças do concurso foram anunciados esta quinta-feira pelo novo porta-voz da CNE, Manuel Sabonete Camati, que garantiu que todo o processo decorreu de forma transparente e em conformidade com os trâmites legais.

A empresa espanhola já havia sido responsável por soluções tecnológicas em processos eleitorais anteriores em Angola, o que na altura gerou forte contestação por parte de partidos da oposição, que levantaram dúvidas sobre a credibilidade e a transparência do sistema utilizado.

Com o regresso da Indra ao centro da organização tecnológica do escrutínio, a polémica volta a instalar-se no debate político nacional.

Dada a situação, aguarda-se que os próximos dias sejam marcados por reações e posicionamentos dos partidos da oposição, num contexto em que o país se aproxima gradualmente das eleições gerais previstas para 2027.

A decisão da CNE poderá, assim, reabrir um dos debates mais sensíveis do processo eleitoral angolano: a confiança dos actores políticos e da sociedade na integridade tecnológica do sistema de votação e apuramento de resultados.