O endividamento do sector privado em Angola registou um aumento significativo de 819,5 mil milhões de kwanzas, passando de 6,9 biliões em Novembro de 2024 para 7,7 biliões de kwanzas em Novembro de 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Nacional de Angola (BNA).

Segundo um informe do banco central, consultado pelo Imparcial Press, o crescimento foi impulsionado sobretudo pelo aumento do endividamento dos particulares, que atingiu 1,7 biliões de kwanzas, uma subida de 21,8% em termos homólogos.

Já o endividamento das empresas privadas não financeiras cifrou-se em seis biliões de kwanzas, representando um crescimento de 9,4%. No mesmo período, o crédito bruto ao sector não financeiro totalizou 8,9 biliões de kwanzas, reflectindo um acréscimo de cerca de 1,2 bilião de kwanzas, equivalente a 15,9%, face a Novembro do ano anterior.

Deste montante, 86,1% corresponde ao endividamento do sector privado, enquanto 13,9% diz respeito ao sector público. A nota do BNA indica ainda que o stock de crédito à economia em moeda nacional alcançou 7,2 biliões de kwanzas, registando um aumento de 21,1% em comparação com o período homólogo e de 20% face a Dezembro de 2024.

No que respeita ao crédito direccionado ao sector real da economia, o montante bruto atingiu 1,9 biliões de kwanzas, um crescimento de 17,6%, correspondente a mais 280,8 mil milhões de kwanzas em relação ao mesmo período do ano anterior. Este desempenho foi impulsionado principalmente pelo subsector da indústria extractiva, que beneficiou de um incremento de 224,5 mil milhões de kwanzas.

O crédito destinado especificamente ao fomento do sector real ascendeu a 1,3 bilião de kwanzas, representando 71,5% do total de crédito concedido ao sector real e 15,1% da carteira de crédito bruto do sector bancário.Em termos homólogos, registou-se um aumento de 28,1%, equivalente a 295 mil milhões de kwanzas, com destaque para o financiamento de projectos da indústria transformadora, que cresceu 23,1%, ou mais 138,6 mil milhões de kwanzas.

Por subsectores de actividade económica, as indústrias transformadoras concentraram a maior fatia do stock de crédito, com 795,9 mil milhões de kwanzas (42,3%), dos quais 92,8% foram concedidos ao abrigo do Aviso n.°10/24 do BNA.

As indústrias extractivas receberam 734 mil milhões de kwanzas, correspondendo a 39% do stock, sendo quase metade atribuída no âmbito dos avisos de fomento ao crédito do sector real.

Já o subsector da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca beneficiou de 350,8 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 18,7% do stock de crédito, dos quais 70,2% foram concedidos ao abrigo dos instrumentos regulatórios do BNA destinados ao apoio ao sector real da economia.

Os dados reflectem um crescimento contínuo do crédito e do endividamento em Angola, num contexto em que o banco central procura estimular o financiamento ao sector produtivo e ao desenvolvimento económico, mantendo, ao mesmo tempo, o acompanhamento da sustentabilidade do crédito concedido.